Um irmão gêmeo hostil
Vênus é o segundo planeta a partir do Sol e o mais parecido com a Terra em tamanho. Segundo a NASA, seu diâmetro equatorial é de 12.104 quilômetros, e ele orbita a cerca de 108 milhões de quilômetros do Sol, o que corresponde a 0,72 unidade astronômica. Apesar da semelhança de dimensões, as condições na superfície são radicalmente diferentes das terrestres.
A temperatura média na superfície é de cerca de 467 graus Celsius, quente o bastante para derreter chumbo, e a pressão atmosférica é aproximadamente 93 vezes a do nível do mar na Terra. A atmosfera é formada em sua maior parte por dióxido de carbono, com densas nuvens de ácido sulfúrico. A NASA também destaca uma peculiaridade do calendário venusiano: o dia dura 243 dias terrestres, mais que o ano, que tem 225 dias, e o intervalo entre um nascer do Sol e o seguinte é de 117 dias terrestres.
As primeiras sondas: Mariner 2 e o programa Venera
A primeira missão planetária bem-sucedida da história foi a Mariner 2, da NASA. Lançada em 27 de agosto de 1962, a sonda passou por Vênus em 14 de dezembro de 1962, a cerca de 34.854 quilômetros do planeta, e o escaneou durante cerca de 42 minutos. Segundo a agência, os dados indicaram que não havia grande diferença de temperatura ao longo do planeta e revelaram uma camada de nuvens densa, que se estende de 56 a 80 quilômetros acima da superfície. A sonda também não detectou campo magnético significativo.
A União Soviética dedicou um programa inteiro a Vênus, o Venera, que a NASA registra como ativo de 1961 a 1984. Em 15 de dezembro de 1970, a Venera 7 realizou, segundo a lista de marcos robóticos da agência norte-americana, a primeira transmissão de dados a partir da superfície de outro planeta. Os pousos soviéticos, no entanto, enfrentaram condições tão severas que a NASA informa que o módulo que sobreviveu por mais tempo funcionou por apenas duas horas antes de ser destruído.
Mariner 10 e a era dos orbitadores
Em 5 de fevereiro de 1974, a Mariner 10 passou por Vênus a uma distância mínima de 5.768 quilômetros, aproveitando a gravidade do planeta para ser desviada em direção a Mercúrio. A NASA a descreve como a primeira missão a visitar dois planetas em um único voo. A passagem por Vênus foi, portanto, também um passo de engenharia de trajetórias.
O mapeamento detalhado do planeta ficou a cargo da Magellan. Lançada em 4 de maio de 1989 a bordo do ônibus espacial Atlantis, ela entrou em órbita de Vênus em 10 de agosto de 1990. Como as nuvens impedem a observação da superfície em luz visível, a sonda usou radar. Segundo a NASA, o primeiro ciclo de 243 dias cobriu 83,7% da superfície até 15 de maio de 1991, e o mapeamento chegou a 98% em setembro de 1992.
O contato com a Magellan foi perdido em 13 de outubro de 1994, depois que ela foi comandada a mergulhar na atmosfera para coletar dados aerodinâmicos. A missão transmitiu mais de 1.200 gigabits de dados, mais do que todas as missões planetárias anteriores da NASA somadas até então. A ESA, por sua vez, enviou em 2005 o orbitador Venus Express, o primeiro europeu no planeta, segundo o catálogo de missões da NASA.
O que a Magellan revelou
O radar mostrou que pelo menos 85% da superfície de Vênus é coberta por fluxos vulcânicos. A NASA também informa que não se veem, no planeta, os padrões de deriva continental que existem na Terra. Como não há água e o clima é extremo, a erosão é lenta, o que permite que feições da superfície se preservem por centenas de milhões de anos.
Esses resultados fazem de Vênus um caso de estudo sobre como planetas rochosos parecidos podem seguir caminhos muito distintos. Compreender por que a atmosfera venusiana ficou tão densa e quente ajuda a comparar os mecanismos que regulam o clima em mundos diferentes, incluindo a própria Terra.
Por que Vênus importa
Vênus é o exemplo mais próximo de um planeta que evoluiu de forma muito diferente da Terra, apesar de ter tamanho semelhante. A NASA lembra que mais de 40 missões já foram lançadas rumo ao planeta, o que o coloca entre os mais visitados depois da Terra e de Marte, mas muitas questões continuam em aberto, como a história da água em sua superfície.
Para a engenharia, o planeta impõe desafios extremos a qualquer sonda. Calor, pressão e ácido explicam por que os pousos exitosos foram tão curtos e por que boa parte do conhecimento atual vem de radar e de instrumentos em órbita.
O que ainda não está confirmado
Esta página não trata de missões futuras a Vênus, porque não foi possível confirmar datas em fontes oficiais abertas durante a pesquisa. Também foram omitidos detalhes técnicos que apareciam com divergência entre as páginas consultadas.
Para ver cada marco com mais detalhe, consulte os eventos relacionados na linha do tempo do site.
Fontes consultadas
- Venus Facts — NASA ScienceFonte oficial
- Mariner 2 — NASA ScienceFonte oficial
- Deep Space Robotic Firsts — NASA ScienceFonte oficial
- Mariner 10 — NASA ScienceFonte oficial
- Magellan — NASA ScienceFonte oficial
- Venus Exploration Timeline — NASA NSSDCAFonte oficial
Fontes conferidas em 29 de setembro de 2026. Encontrou um erro? Escreva para [email protected] ou consulte a página de correções.
