O que chamamos de espaço profundo
Espaço profundo é uma expressão ampla, usada para as regiões além da vizinhança imediata da Terra e da Lua: o espaço entre os planetas, as bordas do Sistema Solar e, mais adiante, o meio interestelar. Não há uma linha única e universal que o separe da órbita terrestre, e por isso este texto adota um critério prático, tratando como espaço profundo o território das sondas que se afastam do sistema Terra-Lua e dos observatórios colocados a distâncias muito maiores que as das órbitas baixas.
Nesse território, a exploração depende de viagens de anos ou décadas e de comunicação com grande atraso. Ainda assim, algumas das missões mais duradouras e produtivas da história pertencem a essa categoria, com sondas lançadas nos anos 1970 que continuam em contato até hoje.
As Voyager: rumo ao espaço interestelar
As sondas gêmeas Voyager foram lançadas em 1977. A Voyager 2 saiu primeiro, em 20 de agosto, e a Voyager 1 a seguiu em 5 de setembro. A Voyager 1 fez sua máxima aproximação de Júpiter em 5 de março de 1979 e de Saturno em 12 de novembro de 1980. Entre as descobertas em Júpiter, a NASA cita um fino anel e duas novas luas, Tebe e Métis, e em Saturno cinco luas e um novo anel, o anel G.
A Voyager 2 passou por Júpiter em 9 de julho de 1979, por Saturno em 25 de agosto de 1981, por Urano em 24 de janeiro de 1986 e por Netuno em 25 de agosto de 1989. Segundo a NASA, em Urano descobriu 10 novas luas e dois anéis, e em Netuno seis luas e quatro anéis, além de um clima surpreendentemente ativo, com ventos acima de 680 milhas por hora. Ela continua sendo, segundo a agência, a única espaçonave que estudou de perto os quatro planetas gigantes do Sistema Solar.
Em 17 de fevereiro de 1998, a Voyager 1 se tornou o objeto humano mais distante da Terra, ao ultrapassar a Pioneer 10. Em agosto de 2012, entrou no espaço interestelar, e a NASA a descreve como o primeiro objeto feito pelo homem a fazê-lo, além de primeira nave a cruzar o limite da heliosfera. Em 21 de agosto de 2024, estava a 164,7 unidades astronômicas da Terra. A Voyager 2 entrou no espaço interestelar em 25 de novembro de 2018.
O telescópio James Webb no ponto L2
O espaço profundo também é usado por observatórios. O Telescópio Espacial James Webb foi lançado em 25 de dezembro de 2021 e chegou ao segundo ponto de Lagrange, o L2, em 24 de janeiro de 2022. Ao contrário do Hubble, que orbita a Terra, o Webb orbita o Sol a cerca de 1,5 milhão de quilômetros do planeta, segundo a NASA.
O observatório trabalha no infravermelho, o que permite detectar o calor de objetos extremamente distantes, e tem um grande espelho segmentado revestido de ouro. Um escudo solar de cinco camadas o protege, e a NASA compara sua proteção à de um protetor solar de fator 1 milhão. As primeiras imagens científicas foram divulgadas em julho de 2022, depois de concluída a fase de comissionamento.
A missão foi concebida para estudar todas as fases da história do Universo, das primeiras galáxias, formadas depois do Big Bang, à formação de estrelas e de sistemas planetários que possam abrigar vida. A escolha do L2, e não de uma órbita baixa, é uma decisão de projeto ligada a esse objetivo.
Sondas que seguem viagem
A New Horizons, lançada em 19 de janeiro de 2006, sobrevoou Plutão em 14 de julho de 2015 e Arrokoth em 1 de janeiro de 2019. Segundo a NASA, continua ativa e viaja cerca de 300 milhões de milhas por ano pelo Cinturão de Kuiper, com foco, em 2025, em dados de heliofísica.
Essas naves mostram uma característica peculiar do espaço profundo: uma missão pode continuar produzindo ciência muitos anos depois de cumprir o objetivo original, dando aos cientistas medidas diretas de regiões que nenhum observatório na Terra alcança.
Por que o espaço profundo importa
Só uma sonda no local pode medir diretamente o vento solar, o campo magnético e as partículas em regiões distantes do Sistema Solar. A passagem da Voyager 1 pelo limite da heliosfera, registrada pela NASA, foi um marco justamente por ter levado instrumentos humanos ao meio entre as estrelas.
Para a astronomia, o Webb mostra o valor de colocar instrumentos longe da Terra: em L2, a cerca de 1,5 milhão de quilômetros, o observatório dedica-se ao infravermelho e à observação do Universo distante. O conjunto de Voyager, New Horizons e Webb resume as duas grandes vertentes do espaço profundo: a das sondas que vão até lá e a dos telescópios que olham para além.
O que ainda não está confirmado
Não foram incluídas aqui previsões sobre o tempo de funcionamento restante das sondas Voyager ou da New Horizons, porque as páginas oficiais consultadas não trazem datas definitivas de encerramento. As distâncias citadas correspondem à data indicada pela própria NASA e mudam continuamente.
Também não foram incluídas missões futuras de espaço profundo. Para conhecer cada marco com mais detalhe, consulte os eventos relacionados na linha do tempo do site.
Fontes consultadas
- Voyager 1 — NASA ScienceFonte oficial
- Voyager 2 — NASA ScienceFonte oficial
- James Webb Space Telescope — NASA ScienceFonte oficial
- New Horizons — NASA ScienceFonte oficial
Fontes conferidas em 29 de setembro de 2026. Encontrou um erro? Escreva para [email protected] ou consulte a página de correções.


