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Espaço profundo

As regiões muito além da Terra e da Lua, do espaço interplanetário ao interestelar: como as Voyager chegaram lá, o que o telescópio James Webb observa a 1,5 milhão de km e por que importa.

Leitura de 4 min · Atualizado em 29 de setembro de 2026

O que chamamos de espaço profundo

Espaço profundo é uma expressão ampla, usada para as regiões além da vizinhança imediata da Terra e da Lua: o espaço entre os planetas, as bordas do Sistema Solar e, mais adiante, o meio interestelar. Não há uma linha única e universal que o separe da órbita terrestre, e por isso este texto adota um critério prático, tratando como espaço profundo o território das sondas que se afastam do sistema Terra-Lua e dos observatórios colocados a distâncias muito maiores que as das órbitas baixas.

Nesse território, a exploração depende de viagens de anos ou décadas e de comunicação com grande atraso. Ainda assim, algumas das missões mais duradouras e produtivas da história pertencem a essa categoria, com sondas lançadas nos anos 1970 que continuam em contato até hoje.

As Voyager: rumo ao espaço interestelar

As sondas gêmeas Voyager foram lançadas em 1977. A Voyager 2 saiu primeiro, em 20 de agosto, e a Voyager 1 a seguiu em 5 de setembro. A Voyager 1 fez sua máxima aproximação de Júpiter em 5 de março de 1979 e de Saturno em 12 de novembro de 1980. Entre as descobertas em Júpiter, a NASA cita um fino anel e duas novas luas, Tebe e Métis, e em Saturno cinco luas e um novo anel, o anel G.

A Voyager 2 passou por Júpiter em 9 de julho de 1979, por Saturno em 25 de agosto de 1981, por Urano em 24 de janeiro de 1986 e por Netuno em 25 de agosto de 1989. Segundo a NASA, em Urano descobriu 10 novas luas e dois anéis, e em Netuno seis luas e quatro anéis, além de um clima surpreendentemente ativo, com ventos acima de 680 milhas por hora. Ela continua sendo, segundo a agência, a única espaçonave que estudou de perto os quatro planetas gigantes do Sistema Solar.

Em 17 de fevereiro de 1998, a Voyager 1 se tornou o objeto humano mais distante da Terra, ao ultrapassar a Pioneer 10. Em agosto de 2012, entrou no espaço interestelar, e a NASA a descreve como o primeiro objeto feito pelo homem a fazê-lo, além de primeira nave a cruzar o limite da heliosfera. Em 21 de agosto de 2024, estava a 164,7 unidades astronômicas da Terra. A Voyager 2 entrou no espaço interestelar em 25 de novembro de 2018.

O telescópio James Webb no ponto L2

O espaço profundo também é usado por observatórios. O Telescópio Espacial James Webb foi lançado em 25 de dezembro de 2021 e chegou ao segundo ponto de Lagrange, o L2, em 24 de janeiro de 2022. Ao contrário do Hubble, que orbita a Terra, o Webb orbita o Sol a cerca de 1,5 milhão de quilômetros do planeta, segundo a NASA.

O observatório trabalha no infravermelho, o que permite detectar o calor de objetos extremamente distantes, e tem um grande espelho segmentado revestido de ouro. Um escudo solar de cinco camadas o protege, e a NASA compara sua proteção à de um protetor solar de fator 1 milhão. As primeiras imagens científicas foram divulgadas em julho de 2022, depois de concluída a fase de comissionamento.

A missão foi concebida para estudar todas as fases da história do Universo, das primeiras galáxias, formadas depois do Big Bang, à formação de estrelas e de sistemas planetários que possam abrigar vida. A escolha do L2, e não de uma órbita baixa, é uma decisão de projeto ligada a esse objetivo.

Sondas que seguem viagem

A New Horizons, lançada em 19 de janeiro de 2006, sobrevoou Plutão em 14 de julho de 2015 e Arrokoth em 1 de janeiro de 2019. Segundo a NASA, continua ativa e viaja cerca de 300 milhões de milhas por ano pelo Cinturão de Kuiper, com foco, em 2025, em dados de heliofísica.

Essas naves mostram uma característica peculiar do espaço profundo: uma missão pode continuar produzindo ciência muitos anos depois de cumprir o objetivo original, dando aos cientistas medidas diretas de regiões que nenhum observatório na Terra alcança.

Por que o espaço profundo importa

Só uma sonda no local pode medir diretamente o vento solar, o campo magnético e as partículas em regiões distantes do Sistema Solar. A passagem da Voyager 1 pelo limite da heliosfera, registrada pela NASA, foi um marco justamente por ter levado instrumentos humanos ao meio entre as estrelas.

Para a astronomia, o Webb mostra o valor de colocar instrumentos longe da Terra: em L2, a cerca de 1,5 milhão de quilômetros, o observatório dedica-se ao infravermelho e à observação do Universo distante. O conjunto de Voyager, New Horizons e Webb resume as duas grandes vertentes do espaço profundo: a das sondas que vão até lá e a dos telescópios que olham para além.

O que ainda não está confirmado

Não foram incluídas aqui previsões sobre o tempo de funcionamento restante das sondas Voyager ou da New Horizons, porque as páginas oficiais consultadas não trazem datas definitivas de encerramento. As distâncias citadas correspondem à data indicada pela própria NASA e mudam continuamente.

Também não foram incluídas missões futuras de espaço profundo. Para conhecer cada marco com mais detalhe, consulte os eventos relacionados na linha do tempo do site.

Fontes consultadas

  1. Voyager 1 — NASA ScienceFonte oficial
  2. Voyager 2 — NASA ScienceFonte oficial
  3. James Webb Space Telescope — NASA ScienceFonte oficial
  4. New Horizons — NASA ScienceFonte oficial

Fontes conferidas em 29 de setembro de 2026. Encontrou um erro? Escreva para [email protected] ou consulte a página de correções.

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