
Objetivo
Enviar duas sondas para sobrevoar os planetas externos e suas luas e, depois, continuar rumo ao espaço interestelar, com uma mensagem da humanidade a bordo.
Resultado
As Voyager fizeram sobrevoos de Júpiter e Saturno, no caso da Voyager 1, e de Júpiter, Saturno, Urano e Netuno, no da Voyager 2. Depois, as duas passaram a operar no espaço interestelar, a Voyager 1 em 2012 e a Voyager 2 em 2018.
Duas sondas gêmeas
O programa Voyager, da NASA, consistiu em duas sondas quase idênticas lançadas em 1977. A Voyager 2 saiu primeiro, em 20 de agosto, às 14h29 UTC (10h29 no horário local da Flórida), e a Voyager 1 foi lançada depois, em 5 de setembro, às 8h56 no horário local. Ambas usaram foguetes Titan IIIE-Centaur, a partir de Cabo Canaveral, no estado americano da Flórida.
Segundo o arquivo NSSDC, cada sonda tinha massa de 721,9 kg, uma antena de alto ganho de 3,66 metros de diâmetro, uma haste de instrumentos com 2,5 metros e uma haste do magnetômetro com 13 metros. A energia vinha de geradores termoelétricos de radioisótopos, que produziam cerca de 470 watts no lançamento e cerca de 335 watts depois de 19 anos e meio, em 1997.
O Disco de Ouro
Cada sonda leva um disco fonográfico de cobre banhado a ouro, de 12 polegadas, com imagens e sons da Terra. O NSSDC descreve o conteúdo: 115 imagens codificadas em formato analógico, saudações em 55 línguas, 35 sons naturais e produzidos pelo ser humano e trechos de 27 peças musicais. O disco deve ser tocado a 1.000 rotações por minuto.
A NASA informa que o conteúdo foi selecionado por um comitê liderado por Carl Sagan, da Universidade Cornell. Uma fotografia de 1977 da agência mostra o momento em que o disco da Voyager 1 é preparado para a instalação na nave.
Júpiter e Saturno
A Voyager 1 chegou à maior aproximação de Júpiter em 5 de março de 1979, a cerca de 174 mil milhas (280 mil quilômetros), e de Saturno em 12 de novembro de 1980, a cerca de 78 mil milhas (126 mil quilômetros). Segundo a NASA, ela encontrou um anel fino em torno de Júpiter e duas novas luas do planeta, Tebe e Métis, além de cinco novas luas de Saturno e o anel G. O NSSDC informa que cada sonda tirou cerca de 18 mil imagens de Júpiter e cerca de 16 mil de Saturno.
Entre as observações de Júpiter, uma legenda da NASA registra que a Voyager 1 descobriu que Io, a mais interna das luas galileanas, era o corpo de maior atividade vulcânica já visto no Sistema Solar, superando a Terra. Imagens posteriores da Voyager 2 mostraram que uma coluna vulcânica de mais de 200 quilômetros de altura ainda estava ativa, o que sugeriu que os vulcões de Io estavam em erupção contínua.
A Voyager 2, por sua vez, passou por Júpiter em 9 de julho de 1979, a cerca de 400 mil milhas (mais de 640 mil quilômetros), e por Saturno em agosto de 1981. As páginas do NSSDC e da NASA divergem quanto ao dia da passagem por Saturno, 26 e 25 de agosto respectivamente, e por isso o artigo indica apenas o mês.
Urano e Netuno
Somente a Voyager 2 visitou Urano e Netuno. Passou por Urano em 24 de janeiro de 1986, a cerca de 50.640 milhas (uns 81 mil quilômetros), e por Netuno em 25 de agosto de 1989, a cerca de 2.980 milhas (perto de 4.800 quilômetros). Segundo a NASA, a sonda descobriu 10 novas luas e dois novos anéis em Urano, além dos nove anéis já conhecidos, e seis novas luas e quatro novos anéis em Netuno. Os ventos em Netuno chegaram a 680 milhas por hora, ou cerca de 1.100 quilômetros por hora.
A NASA disponibiliza imagens dessas visitas. Uma delas mostra Miranda, lua de Urano, fotografada em 24 de janeiro de 1986. Outra, feita entre 24 e 25 de agosto de 1989, mostra detalhes de Tritão, a maior lua de Netuno, com três áreas escuras irregulares cercadas por material mais claro.
A saída do Sistema Solar
Em 17 de fevereiro de 1998, a Voyager 1 ultrapassou a Pioneer 10 e se tornou o objeto artificial mais distante da Terra. Em 16 de agosto de 2006, alcançou 100 unidades astronômicas do Sol. As últimas imagens, feitas de cerca de 40 unidades astronômicas, incluem a Terra vista como um ponto de luz. Uma delas, batizada de Pálido Ponto Azul, integra o primeiro retrato do Sistema Solar, formado por 60 quadros.
A NASA informa que a Voyager 1 entrou no espaço interestelar em agosto de 2012 e a Voyager 2, em novembro de 2018, segundo a página da agência. As duas são as únicas sondas a operar fora da heliosfera, a bolha de partículas e campos magnéticos gerada pelo Sol. A Voyager 2 havia atravessado o choque de terminação em 30 de agosto de 2007.
Situação recente e limites das informações
Na data da página da NASA (21 de agosto de 2024), a Voyager 1 estava a 164,7 unidades astronômicas da Terra, com quatro instrumentos em operação: o telescópio de raios cósmicos, o experimento de partículas carregadas de baixa energia, o magnetômetro e o instrumento de ondas de plasma. A agência registra que, em 17 de abril de 2026, engenheiros do Jet Propulsion Laboratory desligaram um instrumento da Voyager 1 para economizar energia e manter a missão. A página não informa qual instrumento foi desligado.
Ficaram de fora informações que não foram confirmadas nas fontes oficiais, como o estado atual de cada instrumento da Voyager 2, as distâncias atualizadas de cada sonda e previsões de quando a energia será insuficiente para operar instrumentos. As páginas do NSSDC também mantêm textos de operação mais antigos, como a projeção de funcionamento até 2020, que não devem ser lidos como situação atual.
Fontes consultadas
- Voyager 1 — NASA Space Science Data Coordinated Archive (NSSDCA)Fonte oficial
- Voyager 2 — NASA Space Science Data Coordinated Archive (NSSDCA)Fonte oficial
- Voyager 1 — NASA ScienceFonte oficial
- Voyager 2 — NASA ScienceFonte oficial
- Voyager — NASA ScienceFonte oficial
- Voyager 2 Launch (PIA21744) — NASA Photojournal (JPL)Fonte oficial
Fontes conferidas em 29 de setembro de 2026. Encontrou um erro? Escreva para [email protected] ou consulte a página de correções.



