
Objetivo
Levar uma tripulação em uma nave Apollo até a órbita da Lua e trazê-la de volta, testando o foguete Saturn V tripulado e o módulo de comando e serviço em preparação para os pousos lunares.
Resultado
A tripulação completou dez órbitas lunares, transmitiu imagens ao vivo, fotografou a Terra sobre o horizonte lunar e retornou ao Pacífico em 27 de dezembro de 1968.
Contexto e a decisão de ir à Lua
A Apollo 8 foi planejada como uma etapa do caminho até os pousos lunares. O objetivo do programa Apollo, herdado da meta anunciada pelo presidente Kennedy, era levar americanos à Lua antes do fim da década de 1960, e cada missão servia para testar uma parte da cadeia de equipamentos. A NASA tomou, então, uma decisão ousada: enviar a tripulação até a Lua sem o módulo lunar, contornando os atrasos no desenvolvimento desse veículo.
A agência optou por usar o foguete Saturn V e o módulo de comando e serviço em uma viagem até a órbita da Lua. A missão recebeu a frase «Ao redor da Lua e de volta», e seu sucesso mostraria que o restante do sistema estava pronto.
A tripulação e o lançamento
A tripulação era formada por Frank Borman, comandante, que já havia comandado a Gemini VII; James Lovell, piloto do módulo de comando, que voou com Borman na Gemini VII e depois comandaria a Gemini XII e a Apollo 13; e William Anders, piloto do módulo lunar, cuja única missão da NASA foi esta, segundo o Museu Nacional do Ar e do Espaço.
O lançamento ocorreu em 21 de dezembro de 1968, do Complexo de Lançamento 39, na Flórida. Foi o primeiro voo tripulado do Saturn V e a primeira vez que uma tripulação decolou do Complexo 39, o novo porto lunar da NASA. Os astronautas se tornaram também os primeiros seres humanos a viajar para o espaço profundo.
Entrada em órbita lunar
Na véspera de Natal, 24 de dezembro, a nave chegou à Lua. A manobra de inserção em órbita lunar exigiu dois disparos do motor de serviço. O primeiro, de cerca de quatro minutos, colocou a nave numa órbita elíptica de 70 por 195 milhas. O segundo, de menos de dez segundos, circularizou a trajetória a 70 milhas de altitude. Durante a manobra, a nave passou pelo lado oculto da Lua e o contato de rádio foi perdido por cerca de 32 minutos e 37 segundos. O retorno do sinal indicou que a manobra tinha dado certo.
Cada órbita durava cerca de duas horas, e em cada uma delas a nave ficava aproximadamente 45 minutos atrás da Lua, sem comunicação com a Terra. Ao todo, a tripulação completou dez órbitas e passou cerca de 20 horas ao redor do satélite.
Earthrise e as transmissões
Na quarta órbita, quando a nave saía do lado oculto, os astronautas viram a Terra surgir sobre o horizonte lunar. Bill Anders fotografou o momento, primeiro em preto e branco e depois em cor. A imagem mais conhecida, catalogada como AS08-14-2383, foi feita enquanto a nave girava. Em 2018, a União Astronômica Internacional deu o nome de Anders' Earthrise a uma cratera de cerca de 25 milhas de diâmetro. A NASA afirma que a foto é considerada um dos estímulos para o movimento ambientalista.
A tripulação fez transmissões de televisão. Na segunda órbita, houve uma transmissão de 12 minutos com imagens da superfície lunar pela janela. Na nona, uma transmissão de 27 minutos mostrou a Terra e descreveu o terreno lunar, e os astronautas leram os dez primeiros versículos do livro do Gênesis. A NASA explica que os versículos foram escolhidos por serem a base de muitas religiões do mundo, para atrair um público além do cristianismo.
A estimativa de audiência varia entre as fontes. O relato histórico da NASA fala em cerca de 1 bilhão de pessoas em 64 países, enquanto o Museu Nacional do Ar e do Espaço cita cerca de 3,5 bilhões. Por isso, o mais seguro é registrar apenas que foi uma das maiores audiências de televisão da época.
A volta para casa
A injeção transterrestre, o disparo que tirou a nave da órbita lunar, ocorreu depois da décima órbita, 89 horas e 19 minutos após o lançamento, com uma queima de 3 minutos e 23 segundos. A confirmação de que tudo havia funcionado veio de Lovell, que transmitiu, em tradução livre, que «existe um Papai Noel».
A cápsula pousou no Pacífico em 27 de dezembro, a 165 graus de longitude oeste e 8 graus de latitude norte, cerca de 600 milhas a noroeste da Ilha Christmas e 900 milhas a sudoeste do Havaí. O pouso ocorreu a apenas 21 milhas por hora. O porta-aviões USS Yorktown recebeu a tripulação em até 90 minutos, por helicóptero. Na reentrada, a nave atingiu cerca de 24.695 milhas por hora, a maior velocidade já alcançada por humanos até então, segundo a NASA. O voo durou cerca de 147 horas.
Repercussão e legado
O presidente Lyndon Johnson cumprimentou a tripulação por telefone, e os astronautas foram recebidos pelo Congresso em 9 de janeiro de 1969. A revista Time os nomeou os Homens do Ano de 1968, e a tripulação recebeu prêmios Emmy pelas transmissões. A NASA afirma que o sucesso aumentou a confiança de que a meta de pousar na Lua antes de 1970 era possível.
O Museu Nacional do Ar e do Espaço resume que a missão testou trajetórias e operações essenciais para os pousos lunares e que abriu caminho para a Apollo 11. Foram também os primeiros humanos a ver o lado oculto da Lua com os próprios olhos.
Números que variam e o que não foi confirmado
Além da audiência, alguns números aparecem arredondados ou com pequenas variações entre as fontes, como a duração total do voo e as distâncias em milhas. O texto usa os valores citados pela NASA e indica quando há divergência.
Detalhes como o horário exato do lançamento e a distância máxima da Terra não foram confirmados nas páginas abertas nesta verificação e, por isso, foram omitidos.
Fontes consultadas
- Apollo 8 — NASAFonte oficial
- Apollo 8: Christmas at the Moon — NASAFonte oficial
- 50 Years Ago: Apollo 8 in Lunar Orbit — NASAFonte oficial
- Dec. 27, 1968: Apollo 8 Returns from the Moon — NASAFonte oficial
- Apollo 8 — National Air and Space MuseumComplementar
Fontes conferidas em 29 de setembro de 2026. Encontrou um erro? Escreva para [email protected] ou consulte a página de correções.


