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3 de fevereiro de 1966 · Lua

Luna 9: o primeiro pouso suave em outro corpo celeste

Em 3 de fevereiro de 1966, a sonda soviética Luna 9 pousou no Oceano das Tempestades, transmitiu as primeiras imagens da superfície lunar e mostrou que o solo da Lua suportava o peso de uma nave.

Leitura de 4 min · URSS/Roscosmos

Objetivo

Realizar o primeiro pouso controlado de uma nave em outro corpo celeste e transmitir imagens da superfície lunar, depois de uma série de tentativas soviéticas malsucedidas.

Resultado

A cápsula da Luna 9 pousou na Oceanus Procellarum, abriu quatro pétalas para se estabilizar e transmitiu panoramas e imagens de perto até 6 de fevereiro, quando a bateria se esgotou.

Contexto

Chegar à Lua era apenas uma parte do desafio. Pousar de forma controlada, sem destruir a nave, era outra história, e exigia frear uma sonda que chegava em alta velocidade, sem atmosfera para ajudar. Antes da Luna 9, a União Soviética havia tentado esse feito várias vezes, sem sucesso, como registram a ESA e a NASA. A missão de 1966 veio depois dessa série de fracassos.

Havia também uma dúvida científica. Alguns modelos sugeriam que a superfície lunar poderia ser coberta por uma camada de poeira tão solta que engoliria qualquer nave, como se fosse areia movediça. Saber se o solo suportava o peso de uma sonda era importante para o planejamento de futuras missões, inclusive as tripuladas.

O pouso

A Luna 9 pousou em 3 de fevereiro de 1966, na região da Lua chamada Oceanus Procellarum, ou Oceano das Tempestades. Foi o primeiro pouso suave de uma nave em outro corpo celeste, de acordo com a ESA e a NASA. A NASA descreve a sequência: uma haste projetada de um dos lados da nave detectou o contato com a superfície e disparou a ejeção da cápsula de pouso.

A cápsula tinha forma de ovo, com peso descrito pela NASA como cerca de 250 libras. Ao tocar o solo, ela rolou até ficar em pé e desdobrou quatro pétalas acionadas por molas, que a estabilizaram. Segundo o Museu Nacional do Ar e do Espaço, a nave usava bolsas de ar para amortecer a queda e tinha uma câmera montada em um cilindro no alto da cápsula.

As imagens

A Luna 9 carregava uma câmera de televisão com um sistema de espelho giratório. Isso permitia produzir panoramas da paisagem e também imagens de perto de rochas. As imagens eram transmitidas à Terra por rádio, e a NASA as descreve como as primeiras vistas da superfície lunar.

A sonda funcionou com bateria, sem painéis solares. A ESA informa que as transmissões se estenderam até 6 de fevereiro, quando a energia acabou. O Museu Nacional do Ar e do Espaço resume que a bateria durou cerca de três dias, período em que a cápsula transmitiu um panorama a partir de uma posição muito próxima do solo.

O que a missão provou

O resultado científico mais direto foi mostrar que a superfície lunar era sólida e segura. A ESA destaca que o pouso demonstrou que o solo não tinha a natureza instável que alguns temiam. Isso reduziu uma incerteza importante para o desenho de futuras naves de pouso.

A Luna 9 foi, antes de tudo, uma demonstração da técnica de pouso e do envio de imagens. Dados mais detalhados sobre a resistência do solo viriam de missões posteriores, como a Surveyor 1, que enviou informações sobre a capacidade de suporte da superfície.

Jodrell Bank e a corrida para publicar

Um episódio curioso envolveu o observatório britânico de Jodrell Bank. Segundo o Museu Nacional do Ar e do Espaço, os astrônomos interceptaram a primeira imagem transmitida e a divulgaram antes que os soviéticos o fizessem. A versão interceptada tinha qualidade menor do que a ideal, mas foi publicada em jornais, como o Calgary Herald, e mostrou ao público as primeiras vistas do solo lunar.

O caso ilustra um aspecto da corrida espacial: os sinais de rádio de uma sonda podem ser captados por qualquer estação com equipamento adequado, o que dificultava o controle da divulgação dos resultados.

Korolev e o contexto político

A missão aconteceu pouco depois da morte de Sergei Korolev, o líder do programa espacial soviético. A NASA relata que seus colegas gostariam de ter dedicado o feito a ele, mas não puderam fazê-lo, porque a função de projetista-chefe ainda era mantida em sigilo pelo Estado soviético. O detalhe mostra como a identidade dos principais engenheiros do programa permanecia oculta na época.

Registros da época

O repositório técnico da NASA guarda um relatório de contratada, datado de 10 de fevereiro de 1966, que reúne os comunicados da imprensa soviética e o editorial do jornal Pravda sobre o pouso suave da Luna 9. O documento é de poucos dias depois do fim das transmissões da sonda e mostra que o material divulgado em Moscou logo chegou a órgãos americanos.

As imagens continuaram sendo estudadas nos anos seguintes. Um relatório da NASA de fevereiro de 1968, preparado pela empresa Lockheed Electronics, em Houston, trata especificamente da análise das fotografias da Luna 9, o que mostra que o material serviu de base para estudos sobre a paisagem lunar.

A Surveyor 1 e o legado

Cerca de quatro meses depois, em 2 de junho de 1966, a americana Surveyor 1 pousou na mesma região, Oceanus Procellarum. Segundo o Museu Nacional do Ar e do Espaço, a sonda era mais sofisticada e funcionava com energia solar. Ela transmitiu uma imagem de seu pé de apoio e dados de medidores de esforço das pernas de pouso, informações importantes sobre a resistência da superfície para o planejamento do programa Apollo. A Surveyor 1 operou até janeiro de 1967 e enviou imagens até 14 de julho de 1966.

A Luna 9 ficou como o marco inaugural dos pousos suaves na Lua. Alguns detalhes técnicos da missão, como o horário exato do lançamento, as coordenadas do local de pouso e a velocidade de impacto, não foram confirmados em fontes abertas por esta verificação e por isso foram omitidos.

Fontes consultadas

  1. 3 February — ESAFonte oficial
  2. APOD: 1996 August 25 - Luna 9: First Soft Lander — NASA ScienceFonte oficial
  3. Soviet press communiques and the Pravda editorial on Luna-9 soft landing on the moon — NASA Technical Reports ServerFonte oficial
  4. Analysis of Luna 9 Photography — NASA Technical Reports ServerFonte oficial
  5. The First Pictures from the Moon's Surface — National Air and Space MuseumComplementar

Fontes conferidas em 29 de setembro de 2026. Encontrou um erro? Escreva para [email protected] ou consulte a página de correções.

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