O que são cometas e asteroides
Cometas e asteroides são os corpos pequenos do Sistema Solar, sobras da época em que os planetas se formaram. A NASA descreve os cometas como restos de cerca de 4,6 bilhões de anos atrás, feitos principalmente de gelo e material orgânico escuro, apelidados de bolas de neve sujas. Cada cometa tem um núcleo congelado que costuma medir alguns quilômetros, com blocos de gelo, gases congelados e poeira.
Quando um cometa se aproxima do Sol, forma-se em torno do núcleo uma atmosfera chamada de coma, que pode se estender por centenas de milhares de quilômetros. Os cometas têm duas caudas, uma de poeira e outra de íons, ou gás, produzidas pela pressão da luz solar e pelo vento solar, que empurram o material para longe da estrela. Os de período curto, que orbitam em menos de 200 anos, vêm do Cinturão de Kuiper, além de Netuno, e os de período longo, que podem levar cerca de 30 milhões de anos por órbita, vêm da Nuvem de Oort, a cerca de 100.000 unidades astronômicas.
Os asteroides, por sua vez, ficam em sua maioria no cinturão entre Marte e Júpiter. A NASA estima que existam entre 1,1 e 1,9 milhão de asteroides com mais de 1 quilômetro de diâmetro. O maior conhecido, Vesta, mede cerca de 530 quilômetros, e muitos têm menos de 10 metros. Juntos, sua massa é menor que a da Lua. A agência os classifica em tipo C, de argila e silicatos escuros, tipo S, rochosos, e tipo M, principalmente metálicos.
Giotto: o primeiro retrato de um núcleo
A exploração de cometas por sondas começou em 1986, com a passagem do cometa Halley. A missão Giotto, da ESA, foi lançada em 2 de julho de 1985 por um foguete Ariane 1 e encontrou o cometa em março de 1986. Passou a 596 quilômetros do núcleo, o que a ESA descreve como o sobrevoo cometário mais próximo até então.
As imagens foram as primeiras de perto de um núcleo de cometa. Mostraram um corpo muito escuro, com jatos brilhantes de gás e poeira saindo da superfície, e a sonda encontrou as primeiras evidências de material orgânico em um cometa. Depois de ser reativada, a Giotto ainda encontrou um segundo cometa, o Grigg-Skjellerup, em 10 de julho de 1992, a uma distância ainda menor. A ESA destaca que foi a primeira nave a visitar dois cometas.
Rosetta e Philae: pouso em um cometa
A missão Rosetta, também da ESA, chegou ao cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko em 6 de agosto de 2014. Em 12 de novembro do mesmo ano, o módulo de pouso Philae tocou a superfície, o primeiro contato desse tipo com um cometa. Os arpões que deveriam fixá-lo não dispararam, e o módulo voltou a se elevar, tocando a superfície mais de uma vez até parar em um local chamado Abydos, conforme a ESA.
Mesmo em posição difícil, o Philae funcionou por cerca de 64 horas depois de se separar da Rosetta e completou cerca de 80% da sequência científica planejada, antes de entrar em hibernação. O módulo voltou a se comunicar brevemente entre junho e julho de 2015, mas não pôde ser plenamente reativado.
Cometas visitados e amostras devolvidas
A NASA lista outras missões marcantes. A Deep Space 1 fotografou em 2001 o núcleo do cometa Borrelly, que tem cerca de 8 quilômetros de comprimento. A Stardust coletou amostras do cometa Wild 2 em 2004, a Deep Impact atingiu o cometa Tempel 1 em 2005, a extensão EPOXI encontrou o cometa Hartley 2 em 2010 e a Stardust NExT voltou a observar o Tempel 1 em 2011.
O observatório solar SOHO, projeto conjunto da ESA e da NASA, também se destacou de modo inesperado: até março de 2024, segundo a NASA, ele foi responsável pela identificação de mais de 5.000 cometas, mais da metade de todos os conhecidos, por mais de 70 pessoas de 18 países.
Asteroides: DART e OSIRIS-REx
Em 26 de setembro de 2022, a missão DART, da NASA, alterou com sucesso a órbita do asteroide Dimorphos, num teste de técnica de defesa planetária. A NASA também informa que o telescópio espacial NEOWISE operou por mais de 11 anos, até 31 de julho de 2024, e descobriu 215 objetos próximos da Terra.
Já a OSIRIS-REx, lançada em 8 de setembro de 2016, coletou uma amostra do asteroide Bennu em 20 de outubro de 2020 e a trouxe à Terra em 24 de setembro de 2023, em uma cápsula que pousou no campo de testes e treinamento do Departamento de Defesa em Utah. Depois de entregar a amostra, a nave foi rebatizada de OSIRIS-APEX e enviada rumo ao asteroide Apophis, que, segundo a NASA, deve ser visitado em 2029, dentro de um plano ainda por cumprir.
Por que importam
Cometas e asteroides preservam material da formação do Sistema Solar, e por isso as amostras e os dados obtidos por missões como Stardust e OSIRIS-REx servem como registro do que existia antes de os planetas se formarem. Os resultados de Giotto, como as primeiras evidências de material orgânico em um cometa, ajudam a discutir de onde vieram os ingredientes químicos da vida.
Há também um interesse prático. A missão DART mostrou que uma nave pode mudar a órbita de um asteroide, e programas de descoberta, como o NEOWISE, ampliam o catálogo de objetos próximos da Terra que precisam ser monitorados.
O que ainda não está confirmado
Foram omitidos números que apareceram com divergência entre as fontes consultadas, como a data exata da máxima aproximação da Giotto em relação a Halley, indicada em datas vizinhas em páginas diferentes da ESA, e a massa exata da amostra de Bennu, que não pôde ser confirmada em página oficial aberta para este texto.
Também não foram descritas missões futuras. Para ver cada marco com mais detalhe, consulte os eventos relacionados na linha do tempo do site.
Fontes consultadas
- Comets Facts — NASA ScienceFonte oficial
- Asteroids Facts — NASA ScienceFonte oficial
- Giotto overview — ESAFonte oficial
- Philae's extraordinary comet landing relived — ESAFonte oficial
- OSIRIS-REx — NASA ScienceFonte oficial
- SOHO — NASA ScienceFonte oficial
Fontes conferidas em 29 de setembro de 2026. Encontrou um erro? Escreva para [email protected] ou consulte a página de correções.
