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12 de novembro de 2014 · Cometas e asteroides

Rosetta e Philae: o primeiro pouso em um cometa

Em 12 de novembro de 2014, o módulo Philae, da missão Rosetta da ESA, tocou a superfície do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, o primeiro pouso controlado de uma sonda em um cometa.

Leitura de 6 min · ESA · NASA

Objetivo

Levar uma sonda a orbitar o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko e descer um módulo até o núcleo, para estudar de perto a composição e a estrutura de um cometa.

Resultado

Rosetta chegou ao cometa em 6 de agosto de 2014 e Philae tocou o solo em 12 de novembro do mesmo ano. O módulo operou cerca de 64 horas e enviou dados; a missão terminou com um impacto controlado em 30 de setembro de 2016.

Contexto

Cometas são corpos pequenos e gelados que, segundo a ciência planetária, guardam material dos primeiros tempos do Sistema Solar. Por isso, a Agência Espacial Europeia (ESA) planejou uma missão que não se limitasse a sobrevoá-los: a sonda Rosetta deveria acompanhar um cometa por um longo período e, além disso, soltar sobre ele um módulo de pouso. A NASA descreveu, em 2014, que a expectativa era obter as primeiras imagens tiradas da superfície de um cometa e a primeira análise direta da composição de um.

O alvo escolhido foi o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko. Rosetta foi lançada em 2 de março de 2004 e percorreu, segundo a ESA, cerca de 6,4 bilhões de quilômetros pelo Sistema Solar até alcançar o cometa em 6 de agosto de 2014. Ao final da missão, a agência contabilizou quase 8 bilhões de quilômetros percorridos, seis órbitas em torno do Sol, três passagens pela Terra, uma por Marte e dois encontros com asteroides ao longo do caminho.

A missão e a longa viagem

Depois de anos de viagem, Rosetta passou 31 meses em hibernação no espaço profundo, período em que a maior parte dos sistemas ficou desligada para economizar energia, conforme relatou a ESA. Ao ser reativada e chegar ao destino, tornou-se a primeira nave a entrar em órbita de um cometa. O cometa tem forma de dois lóbulos unidos, característica que os pesquisadores documentaram nas imagens da aproximação e que serviu de referência para a escolha do ponto de pouso.

A escolha do local levou cerca de seis semanas após a chegada, com base em imagens e dados coletados entre 30 e 100 quilômetros de distância. O ponto selecionado recebeu o nome de Agilkia e ficava na região da cabeça do cometa, uma área com aproximadamente 4 quilômetros de largura. A operação envolveu o orbitador Rosetta, que carregava e liberaria o módulo, e o próprio Philae, cuja missão era analisar o material do núcleo com seu conjunto de instrumentos.

Como foi o pouso

Em 12 de novembro de 2014, Rosetta liberou Philae às 09h03 GMT, a cerca de 22,5 quilômetros do centro do cometa. A descida durou aproximadamente sete horas. O sinal que confirmou o toque na superfície chegou à Terra às 16h03 GMT e foi captado ao mesmo tempo pela estação da ESA em Malargüe, na Argentina, e pela estação da NASA em Madri, na Espanha, antes de ser confirmado no centro de operações da ESA, em Darmstadt, e no centro de controle do módulo, em Colônia.

O pouso, porém, não terminou no primeiro contato. Segundo a ESA, Philae ricocheteou depois de tocar Agilkia e permaneceu cerca de duas horas em voo, a uma altitude da ordem de 100 metros, antes de pousar de forma definitiva em outro ponto, chamado Abydos, a mais de um quilômetro do local original. A velocidade de aproximação prevista para o toque era de cerca de 1 metro por segundo, e a comunicação exigiu que o sinal atravessasse uma distância de aproximadamente 510 milhões de quilômetros até a Terra.

Resultados científicos

Philae operou por cerca de 64 horas antes de entrar em hibernação, quando a bateria principal se esgotou. Nesse intervalo, a ESA informa que aproximadamente 80% da primeira sequência científica prevista foi concluída. Entre os instrumentos citados pela agência estão COSAC, Ptolemy, ROLIS, CIVA, MUPUS, CONSERT e APXS. Os dados do toque inicial e do voo também renderam informações, pois o contato com o solo levantou poeira que os analisadores puderam registrar.

Os primeiros resultados foram publicados em uma edição especial da revista Science, em 2015. Segundo a ESA, o módulo detectou 16 compostos orgânicos, quatro deles jamais encontrados antes em um cometa. As temperaturas na superfície variaram de cerca de -180 °C a -145 °C. O lóbulo menor apresentou porosidade estimada entre 75% e 85%, com mistura de poeira e gelo, rochas de até cerca de 5 metros foram observadas e a camada de material solto em Agilkia chegaria a cerca de 2 metros de profundidade.

O orbitador e o fim da missão

Enquanto Philae estava em hibernação, o orbitador continuou observando o cometa. Entre os resultados que a ESA destacou ao encerrar a missão estão a detecção do aminoácido glicina e de fósforo, além de oxigênio molecular, nitrogênio, água e diversos compostos orgânicos. Rosetta permaneceu 786 dias em operação junto ao cometa, que passou pelo ponto mais próximo do Sol, o periélio, em 13 de agosto de 2015.

Em junho e julho de 2015, o módulo voltou a se comunicar brevemente com o orbitador, quando o cometa se aproximava do Sol, mas o contato não se estabeleceu de forma duradoura. Em 2 de setembro de 2016, a câmera de alta resolução OSIRIS fotografou Philae de cerca de 2,7 quilômetros de distância, com escala de cerca de 5 centímetros por pixel. A imagem mostrou o módulo encaixado em uma fenda escura, orientação que, segundo a ESA, ajudou a explicar por que a comunicação fora tão difícil depois do pouso.

A missão terminou em 30 de setembro de 2016. A última manobra ocorreu em 29 de setembro, às 20h50 GMT, colocando Rosetta em rota de colisão a partir de uma altitude de cerca de 19 quilômetros. O alvo era uma região do lóbulo menor próxima a poços ativos, a área chamada Ma'at. A perda do sinal, que confirmou o impacto, foi registrada em Darmstadt às 11h19 GMT. Durante a descida, a sonda pôde estudar gás, poeira e plasma muito perto da superfície e fazer imagens de alta resolução.

Participantes

Rosetta foi uma missão da ESA com contribuições internacionais. O consórcio do módulo Philae reuniu o DLR, o MPS, o CNES e a ASI, segundo a agência europeia, e o controle do módulo ficou em Colônia. O centro científico e de operações do módulo funcionou em Toulouse, na França. O acompanhamento da sonda dependeu ainda de estações de solo distribuídas por diferentes países, como a de Malargüe e a de Madri.

A NASA forneceu três instrumentos ao orbitador. O MIRO, um instrumento de micro-ondas, estuda o comportamento de gás e poeira, a temperatura da superfície e a evolução da coma e da cauda. O Alice, um espectrômetro ultravioleta, analisa gases da coma e mede a produção de água, monóxido de carbono e dióxido de carbono. O IES mede partículas carregadas do vento solar em interação com o gás do cometa.

Legado e limites do que se sabe

Rosetta foi a primeira missão a orbitar um cometa e a primeira a soltar um módulo em seu núcleo, marcos que a ESA e a NASA registraram em seus comunicados. O conjunto de dados coletado ao longo de mais de dois anos junto ao 67P permitiu documentar a estrutura de dois lóbulos, a química de sua superfície e a evolução da atividade do cometa perto do periélio,.

Há também limites claros. O pouso não ocorreu no ponto planejado, o módulo terminou encaixado em uma fenda escura e não completou todo o plano de observações, já que cerca de 80% da primeira sequência científica foi cumprida. Os detalhes técnicos de cada etapa do ricochete não constam nas fontes usadas neste texto e, por isso, não são descritos aqui.

Fontes consultadas

  1. Touchdown! Rosetta's Philae probe lands on comet — ESAFonte oficial
  2. Science on the surface of a comet — ESAFonte oficial
  3. Mission complete: Rosetta's journey ends in daring descent to comet — ESAFonte oficial
  4. Philae found — ESAFonte oficial
  5. NASA Instruments on Rosetta Start Comet Science — NASA/JPLFonte oficial
  6. Comet 67P/C-G on 19 September 2014 - NavCam mosaic — ESA (Rosetta)Fonte oficial

Fontes conferidas em 29 de setembro de 2026. Encontrou um erro? Escreva para [email protected] ou consulte a página de correções.

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