
Objetivo
Coletar amostras do asteroide próximo da Terra Bennu e trazê-las à Terra para estudar material primitivo do Sistema Solar e verificar se asteroides como ele podem ter entregado água e ingredientes da vida ao planeta.
Resultado
A cápsula pousou em 24 de setembro de 2023 no Campo de Testes e Treinamento de Utah. As análises publicadas em janeiro de 2025 acharam aminoácidos, as cinco nucleobases do DNA e do RNA e minerais de evaporação, sem indício de vida.
Contexto
Asteroides são resquícios da formação do Sistema Solar, e alguns deles guardam material que praticamente não mudou em bilhões de anos. Bennu foi escolhido pela NASA por reunir três características: é um corpo antigo, formado, segundo a agência, há cerca de 4,6 bilhões de anos; é rico em compostos orgânicos; e cruza a órbita da Terra, o que torna a viagem mais viável que uma ida ao cinturão de asteroides.
A pergunta científica era clara. Os cientistas queriam saber se asteroides que colidiram com a Terra no passado distante entregaram água e ingredientes da vida ao planeta. Só uma amostra em laboratório, com instrumentos que não cabem em uma sonda, poderia esclarecer isso com detalhe, e por isso a missão foi desenhada como retorno de amostras.
Da partida à coleta
A OSIRIS-REx foi lançada em 8 de setembro de 2016 e chegou a Bennu em 3 de dezembro de 2018. Ao longo de quase dois anos, a nave estudou o asteroide de perto para escolher o ponto de coleta. Em 20 de outubro de 2020, executou a manobra de toque e recuo, conhecida pela sigla TAG, e recolheu rocha e poeira da superfície. A NASA informa que a quantidade coletada foi de 121,6 gramas.
A viagem de volta começou em 10 de maio de 2021. No total, a missão percorreu cerca de 2,2 bilhões de milhas, segundo a agência.
A chegada da cápsula em 24 de setembro de 2023
A cápsula foi liberada a 63.000 milhas da Terra, entrou na atmosfera a cerca de 27.650 milhas por hora e desceu sob paraquedas, com velocidade final de aproximadamente 11 milhas por hora. O pouso ocorreu às 10h52 no horário de verão do leste dos EUA (EDT) de 24 de setembro de 2023, no Campo de Testes e Treinamento do Departamento de Defesa, em Utah, perto de Salt Lake City.
Equipes da NASA e de empresas parceiras, incluindo a Lockheed Martin, recuperaram a cápsula e fizeram verificações preliminares. Ela foi levada de helicóptero e depois transferida para uma sala limpa, e o recipiente científico seguiu por avião para o laboratório de curadoria, conforme as fotos divulgadas pela agência. O cuidado em evitar contaminação é essencial, já que o objetivo é analisar material extraterrestre sem interferência da Terra.
Como a amostra foi dividida
A NASA descreve uma divisão planejada da amostra. Cerca de 25% ficam com a equipe da OSIRIS-REx, formada por 233 cientistas em 38 instituições. A Agência Espacial Canadense recebeu 4%, e a JAXA, 0,5%. Cerca de 70% foram preservados para pesquisas futuras.
Essa reserva tem uma razão prática. Técnicas de análise melhoram com o tempo, e as próximas gerações de cientistas poderão estudar o material com instrumentos que ainda não existem. É um padrão comum em missões de retorno de amostras e ajuda a explicar por que os resultados continuam a ser publicados anos depois da chegada.
O que as análises encontraram
Em 29 de janeiro de 2025, duas revistas científicas publicaram resultados das análises: a Nature, sobre os minerais e o ambiente aquoso antigo, e a Nature Astronomy, sobre compostos orgânicos. A NASA relata a detecção de 14 dos 20 aminoácidos que a vida na Terra usa para produzir proteínas e das cinco nucleobases usadas no DNA e no RNA. Havia também abundâncias excepcionalmente altas de amônia e a presença de formaldeído.
Do lado mineral, os cientistas identificaram 11 minerais evaporíticos, sais formados quando a água evapora, entre eles calcita, halita, silvita e trona. A agência afirma que a trona foi descoberta pela primeira vez em amostras extraterrestres. Esses minerais indicam que Bennu, ou o corpo do qual ele se originou, teve contato com água líquida no passado.
O que isso significa e o que continua sem resposta
A NASA resume as conclusões com cautela: as condições necessárias para o surgimento da vida parecem ter sido comuns no início do Sistema Solar, mas não há evidência direta de vida. Objetos formados longe do Sol poderiam ter sido uma fonte importante de ingredientes básicos para a vida, segundo a agência.
Um ponto permanece sem explicação. As amostras de Bennu contêm quantidades equivalentes de aminoácidos de mão esquerda e de mão direita, enquanto a vida na Terra usa quase só os de mão esquerda. A NASA diz que a razão dessa assimetria continua desconhecida. A origem de Bennu segue como objeto de estudo, sem resumo definitivo nos comunicados citados.
Bennu e o risco de impacto
A NASA informa que Bennu não representa ameaça de impacto até meados do século 22. A probabilidade de colisão com a Terra até o ano 2300 é de 1 em 1.750, ou menos de um décimo de ponto percentual, segundo a página de perguntas frequentes da missão. O estudo do asteroide, portanto, tem valor científico, e não apenas de alerta.
O conhecimento sobre a composição e a estrutura de um asteroide próximo da Terra também interessa à defesa planetária, tema de outras missões, como o teste de desvio DART.
Depois da entrega: OSIRIS-APEX
Depois de liberar a cápsula, a nave seguiu em outra missão. Ela foi renomeada OSIRIS-APEX e enviada para estudar o asteroide Apophis, com foco nas mudanças físicas que o encontro próximo do asteroide com a Terra, em 2029, pode causar. Por se tratar de uma missão em andamento, cabe consultar a NASA para o calendário atualizado.
O retorno de 2023 continua sendo o marco principal. Os resultados de 2025 mostraram que uma única cápsula pode render descobertas por muitos anos.
Fontes consultadas
- OSIRIS-REx — NASA ScienceFonte oficial
- OSIRIS-REx Frequently Asked Questions — NASA ScienceFonte oficial
- NASA's Asteroid Bennu Sample Reveals Mix of Life's Ingredients — NASAFonte oficial
- OSIRIS-REx Sample Landing (galeria) — NASA ScienceFonte oficial
Fontes conferidas em 29 de setembro de 2026. Encontrou um erro? Escreva para [email protected] ou consulte a página de correções.
