Objetivo
Coletar e trazer à Terra amostras do lado oculto da Lua, na bacia Polo Sul-Aitken, descrita pela CNSA como a maior, mais antiga e mais profunda bacia reconhecida na Lua.
Resultado
A missão retornou em 25 de junho de 2024 à Mongólia Interior com 1.935,3 gramas de amostras. Análises publicadas em 2025 indicam vulcanismo antigo, menos água no manto do lado oculto e minerais oxidados.
Contexto
O lado oculto da Lua é o hemisfério que nunca fica voltado para a Terra. Ele tem crateras e uma crosta diferentes das do lado visível, e por isso as rochas de lá interessam tanto aos geólogos planetários. Até a Chang'e-6, ninguém havia trazido amostras dessa região. A CNSA descreveu a missão como a primeira tentativa do mundo de recolher material do lado oculto.
A Chang'e-6 foi a segunda expedição chinesa de retorno de amostras lunares, depois da Chang'e-5, que teve sucesso em 2020. A NASA registra que a Chang'e-6 nasceu como opção de reserva da Chang'e-5, isto é, um módulo construído como plano alternativo, e que dependeria do satélite de retransmissão Queqiao-2 para manter contato com a Terra, já que o lado oculto não tem visada direta para nosso planeta.
A sonda e o alvo
A sonda pesava 8,35 toneladas e tinha quatro componentes: orbitador, módulo de pouso, módulo de subida e cápsula de reentrada. Foi projetada pela Academia Chinesa de Tecnologia Espacial, segundo a CNSA. A meta anunciada antes do voo era coletar até 2 quilogramas de pedras e solo e guardá-los em um recipiente metálico a vácuo dentro do módulo de subida.
O alvo foi a bacia Polo Sul-Aitken (SPA), que a CNSA define como uma cratera gigante no lado oculto, a maior, mais antiga e mais profunda bacia reconhecida na Lua. Amostras dessa bacia permitem estudar processos antigos de impacto e o interior lunar, e por isso a escolha do destino fez parte da justificativa científica da missão.
Lançamento e retorno
O lançamento ocorreu em 3 de maio de 2024, às 17h27 no horário de Pequim, em um foguete Long March 5, a partir do Centro de Lançamento de Wenchang, na província de Hainan. A CNSA classificou a partida como o início de uma jornada histórica.
Depois do trabalho na Lua, a cápsula de reentrada voltou à Terra em 25 de junho de 2024, em Siziwang Banner, na Mongólia Interior. Entre o lançamento e o retorno passaram 53 dias. Em 28 de junho de 2024, a CNSA anunciou que a missão recolheu 1.935,3 gramas de amostras do lado oculto, valor amplamente reproduzido pela agência Xinhua.
O que os comunicados dizem sobre o pouso
Os comunicados oficiais da CNSA confirmam o lançamento, o alvo, o retorno e a massa da amostra, mas não trazem a data e a hora exatas do pouso nem as coordenadas do local. Por isso esses dados não são citados aqui. As páginas também não descrevem os métodos de coleta (por exemplo, o uso de escavação ou perfuração), nem os instrumentos internacionais que teriam viajado a bordo.
Em missões desse tipo, números e horários circulam em muitas versões, e o mais seguro é publicar apenas o que consta em documento oficial. O detalhe do pouso deve ser conferido diretamente nos comunicados da CNSA.
Resultados científicos: vulcanismo, magnetismo e água
Em julho de 2025, a CNSA divulgou quatro artigos publicados na revista Nature por cientistas chineses, do Instituto de Geologia e Geofísica e dos Observatórios Astronômicos Nacionais, ambos da Academia Chinesa de Ciências, da Universidade de Nanquim e de outras instituições. Os estudos indicam atividade vulcânica no lado oculto há cerca de 4,2 bilhões de anos e outra em torno de 2,8 bilhões de anos, o que significa que o vulcanismo persistiu por pelo menos 1,4 bilhão de anos.
Segundo a CNSA, os trabalhos obtiveram pela primeira vez informações sobre o antigo campo magnético do lado oculto, com um possível aumento da intensidade há cerca de 2,8 bilhões de anos. O manto do lado oculto também tem bem menos água que o do lado visível, o que sugere uma distribuição assimétrica entre os hemisférios. A formação da bacia Polo Sul-Aitken foi datada com precisão em 4,25 bilhões de anos.
Minerais oxidados
Outro estudo, publicado na Science Advances e divulgado pela CNSA em 16 de novembro de 2025, por pesquisadores da Universidade de Shandong, do Instituto de Geoquímica da Academia Chinesa de Ciências e da Universidade de Yunnan, encontrou cristais de hematita e maghemita, com tamanho de mícrons, nas amostras. Segundo a agência, eles teriam se formado por impactos, e a formação da hematita pode estar ligada a grandes impactos da história lunar.
O trabalho também descreve magnetita como produto intermediário, que poderia explicar anomalias magnéticas na região da bacia. A CNSA cita o achado como o primeiro dado direto sobre materiais fortemente oxidados na superfície lunar, o que desafia a visão histórica da Lua como um corpo reduzido, isto é, pobre em oxigênio.
Compartilhamento das amostras
Em 14 de setembro de 2026, foi realizada em Viena, na sede da ONU, uma cerimônia de entrega de amostras de solo lunar da Chang'e-6 à comunidade internacional, segundo a CNSA. Participaram mais de 400 convidados, com representantes de países como Rússia, Estados Unidos, Itália, Canadá, Índia e Austrália, e de organizações da ONU. A página da CNSA não informa a quantidade doada.
A cerimônia mostra que as amostras já entraram em circulação científica além das instituições chinesas. As regras de acesso e a distribuição das amostras a pesquisadores de outros países não constam nas páginas oficiais citadas.
Fontes consultadas
- Historic journey from Chang'e 6 lifts off — CNSAFonte oficial
- China's Chang'e-6 sheds first light on evolution history of moon's far side — CNSAFonte oficial
- Study on Chang'e-6 samples sheds new light on lunar oxidation mechanism — CNSAFonte oficial
- 中国向联合国捐赠嫦娥六号月壤样品 (título em chinês) — CNSAFonte oficial
- Chinese Lunar Exploration Program: Chang'e 6 (Moon Future Missions) — NASA NSSDCAFonte oficial
- China's Chang'e-6 collects 1,935.3 grams of samples from moon's far side — XinhuaComplementar
Fontes conferidas em 29 de setembro de 2026. Encontrou um erro? Escreva para [email protected] ou consulte a página de correções.

