
Objetivo
Realizar o último pouso do programa Apollo, com três caminhadas lunares, uso do jipe lunar, instalação de experimentos científicos e coleta de amostras na região de Taurus-Littrow.
Resultado
Cernan e Schmitt fizeram três caminhadas totalizando 22 horas e 4 minutos, percorreram cerca de 30 km no jipe lunar e trouxeram 110,52 kg de amostras. A tripulação amerrissou no Pacífico em 19 de dezembro de 1972.
Contexto
A Apollo 17 foi a última missão do programa Apollo a levar seres humanos à superfície da Lua. A missão ficou marcada também por incluir, pela primeira vez, um cientista de formação entre os astronautas que caminharam na Lua: Harrison Schmitt, geólogo e piloto do módulo lunar.
A tripulação era formada por Eugene Cernan, comandante, então com 38 anos e capitão da Marinha dos Estados Unidos, Harrison Schmitt, de 37 anos, e Ronald Evans, piloto do módulo de comando, de 39 anos e comandante da Marinha, segundo o arquivo NSSDC da NASA. Schmitt foi a 12ª pessoa a pisar na Lua, conforme a NASA.
O lançamento noturno
O Saturn V identificado como SA-512 decolou da plataforma 39A do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, às 5h33 UTC de 7 de dezembro de 1972, o que equivale a 0h33 no horário de Nova York. A decolagem ocorreu depois de um atraso de 2 horas e 40 minutos e foi o primeiro lançamento noturno de uma missão Apollo.
A massa total de lançamento do conjunto de comando e serviço foi de 30.320 kg, segundo o NSSDC. Durante a viagem até a Lua, a tripulação fez a fotografia da Terra que ilustra esta página. O registro AS17-148-22727 mostra uma vista que se estende do Mediterrâneo à calota de gelo do polo sul, com quase toda a costa da África visível. Segundo a descrição da NASA, foi a primeira vez que a trajetória de uma missão Apollo permitiu fotografar a calota polar antártica.
Pouso em Taurus-Littrow
O módulo lunar Challenger pousou em 11 de dezembro de 1972, às 19h54min57s UTC, no vale de Taurus-Littrow, na borda sudeste do Mar da Serenidade (Mare Serenitatis), perto da cratera Littrow. O arquivo NSSDC informa as coordenadas de cerca de 20,19 graus de latitude norte e 30,77 graus de longitude leste.
Enquanto Cernan e Schmitt exploravam a superfície, Evans permaneceu em órbita lunar no módulo de comando e serviço. O módulo lunar ficou 75 horas na Lua antes da decolagem, ocorrida em 14 de dezembro, às 22h54min37s UTC.
Três caminhadas e o jipe lunar
Ao longo da estadia, os dois astronautas realizaram três caminhadas lunares, que somaram 22 horas e 4 minutos. Com o veículo lunar, o jipe usado nas últimas missões Apollo, eles percorreram aproximadamente 30 quilômetros e coletaram 110,52 kg de amostras de rochas e solo.
Na segunda caminhada, Schmitt encontrou uma área de solo alaranjado, achado que o NSSDC destaca entre as descobertas da missão. A NASA registra ainda que Cernan passou mais de 73 horas na superfície da Lua.
Experimentos científicos
A missão instalou uma estação científica de superfície, o ALSEP. Segundo o NSSDC, sua unidade central, um equipamento de cerca de 25 kg, foi instalada nas proximidades do local de pouso, em cerca de 20,19 graus norte e 30,76 graus leste, e operou de 12 de dezembro de 1972 até 30 de setembro de 1977.
O pacote reunia cinco experimentos: medição de fluxo de calor, gravímetro lunar, espectrômetro de massa, perfilagem sísmica e detecção de ejeções e meteoroides. A energia vinha de um gerador termoelétrico de radioisótopo, o SNAP-27, que produzia cerca de 70 watts em corrente contínua a 16 volts, com queda para 63,5 watts depois de um ano. O combustível era uma cápsula de plutônio-238 de cerca de 4 kg.
O retorno à Terra
A cápsula amerrissou em 19 de dezembro de 1972, às 19h24min59s UTC, a cerca de 350 milhas náuticas a sudeste das ilhas Samoa, no Pacífico, e a aproximadamente 6,5 km do navio USS Ticonderoga. A duração total da missão foi de 301 horas, 51 minutos e 59 segundos, segundo o arquivo NSSDC.
Cernan acumulou 566 horas e 15 minutos de voo espacial ao longo da carreira, conforme a biografia publicada pela NASA. Evans, que atuou em órbita, havia sido selecionado como astronauta em abril de 1966 e se aposentou da Marinha em 30 de abril de 1976.
Legado
O Apollo Lunar Surface Journal, mantido pela NASA, nasceu de entrevistas com astronautas que caminharam na Lua, e Schmitt foi o primeiro a participar delas, segundo a própria NASA. O material documenta com detalhe as atividades da missão, com transcrições comentadas, fotografias e mapas.
A Apollo 17 encerrou o ciclo de pousos tripulados na Lua do programa, e a fotografia da Terra feita a caminho do destino tornou-se uma das imagens mais reproduzidas do planeta.
O que não foi confirmado
Alguns dados frequentemente citados sobre a missão foram omitidos por não constarem das fontes oficiais citadas, como o total de horas de cada caminhada individual, a velocidade máxima do jipe lunar e o número exato de amostras. Sobre a fotografia da Terra, a página de divulgação da NASA cita 17 de dezembro, mas o registro do acervo de imagens traz 7 de dezembro de 1972, durante a ida à Lua; este texto não afirma uma data para a foto.
As fontes divergem em detalhes de apresentação, como a duração da missão em dias, que a NASA arredonda e o NSSDC detalha em horas. Este texto adota o valor mais preciso do NSSDC. Para aprofundar, o Apollo Flight Journal e o Apollo Lunar Surface Journal reúnem transcrições e fotografias de toda a missão.
Fontes consultadas
- Apollo 17 Command and Service Module — NASA Space Science Data Coordinated Archive (NSSDCA)Fonte oficial
- Apollo 17 Lunar Module / ALSEP — NASA Space Science Data Coordinated Archive (NSSDCA)Fonte oficial
- Apollo 17 — NASAFonte oficial
- Blue Marble (AS17-148-22727) — NASAFonte oficial
Fontes conferidas em 29 de setembro de 2026. Encontrou um erro? Escreva para [email protected] ou consulte a página de correções.



