Objetivo
Passar pela Lua e fotografar seu lado oculto, que nunca é visível da Terra, para obter as primeiras imagens dessa região.
Resultado
A sonda fotografou o lado oculto em 7 de outubro de 1959 e enviou imagens ruidosas e de baixa resolução, mas suficientes para mostrar que esse hemisfério tem muito menos mares escuros do que o lado visível.
Contexto: o lado da Lua que ninguém tinha visto
A Lua mantém sempre o mesmo hemisfério voltado para a Terra, e por isso, até 1959, ninguém sabia como era a outra metade. O lado oculto, que muitas vezes é chamado de lado escuro, recebe luz solar em metade do tempo, e o termo correto é lado oculto ou lado distante. A dúvida científica era simples: seria essa região parecida com a face visível, ou teria um aspecto diferente?
A resposta veio do terceiro lançamento soviético do ano em direção à Lua. Segundo o catálogo de exploração lunar da NASA, a Luna 1 foi lançada em 2 de janeiro de 1959, a Luna 2, em 12 de setembro, e a Luna 3, em 4 de outubro. Ao contrário da Luna 2, classificada como missão de impacto, a Luna 3 aparece no catálogo como sonda e foi a que sobrevoou a Lua e olhou para trás.
A trajetória e o sobrevoo
A lista de primeiros feitos da NASA em exploração do espaço profundo atribui à Luna 3 duas primeiras marcas: o primeiro sobrevoo da Lua e a primeira fotografia de seu lado oculto, ambos datados de 6 de outubro de 1959. O relato da NASA sobre a imagem e a visualização científica da agência apontam, para a primeira fotografia, 7 de outubro de 1959, às 03h30 em tempo universal.
A diferença entre 6 e 7 de outubro provavelmente reflete o critério usado, a passagem mais próxima da Lua ou o início da fotografia, mas as fontes consultadas não explicam a discrepância. Este texto adota 7 de outubro como a data das primeiras imagens, seguindo o registro com horário em tempo universal.
No instante da primeira fotografia, segundo a NASA, a sonda estava a cerca de 63.500 quilômetros da Lua, tendo já passado por ela e olhando para o hemisfério iluminado pelo Sol. A visualização da NASA acrescenta que a sonda estava posicionada sobre 12° N e 120° L, a cerca de 61.700 quilômetros da superfície, com a câmera inclinada 17,5° em relação à vertical.
Como as imagens foram feitas
A técnica era engenhosa para a época. A NASA afirma que as imagens foram registradas em filme de 35 milímetros, revelado automaticamente a bordo da sonda. Depois, o filme era escaneado, e o sinal era transmitido à Terra dias mais tarde, no que a agência descreve como talvez o primeiro fax interplanetário.
Os números divulgados variam. A NASA fala em 29 fotografias, cobrindo cerca de 70% do lado oculto. Já o texto da NASA na série de imagens astronômicas do dia menciona 17 fotografias recebidas na Terra. A explicação mais provável é que nem todas as imagens registradas puderam ser transmitidas com qualidade, mas as páginas consultadas não confirmam essa hipótese, e por isso ela é apresentada apenas como possibilidade.
A Sociedade Planetária informa que a imagem divulgada foi produzida pelo Instituto Científico de Pesquisa em Televisão de Leningrado e pelo Instituto Astronômico Sternberg. A NASA descreve as fotografias como muito ruidosas e de baixa resolução, mas com muitos detalhes reconhecíveis.
O que as imagens mostraram
A diferença mais marcante entre os dois hemisférios é a quase ausência, no lado oculto, dos grandes mares escuros de lava resfriada, chamados de maria, que cobrem boa parte da face visível. O lado oculto, ao contrário, é densamente marcado por crateras de todos os tamanhos e idades, segundo a NASA.
A visualização científica da agência identifica nas imagens vários elementos, como os mares Crisium, Marginis, Smythii, Humboldtianum, Australe, Fecunditatis e Moscoviense, e crateras como King, Langemak, Gregory, Abul Wafa, Tsiolkovskiy, com pico central, e Julio Verne. A Sociedade Planetária destaca a cratera Tsiolkovskiy como a feição escura em forma de coração perto da borda inferior direita da imagem. O APOD, por sua vez, lista nomes atribuídos pelos soviéticos que aparecem em selo comemorativo, como Mar de Moscou, Montanhas Soviéticas, Baía dos Astronautas e Mar dos Sonhos.
Segundo o APOD, as imagens permitiram produzir o primeiro mapa do lado oculto, com cobertura suficiente para identificar as principais feições da superfície. Foi a primeira vez que a humanidade teve uma visão desse hemisfério.
Legado: da Luna 3 ao LRO
Cinquenta anos depois, a NASA usou dados do Lunar Reconnaissance Orbiter, lançado em junho de 2009 do Centro Espacial Kennedy, para recriar a perspectiva da Luna 3 com mapas de altitude e mosaicos fotográficos de qualidade muito superior. A comparação entre as imagens de 1959 e as de 2009 mostra o quanto a tecnologia avançou e permite identificar, nas imagens antigas, as feições que hoje têm mapas detalhados.
O feito inaugurou um tipo de exploração em que a sonda vai além do alvo direto e olha para trás. Também mostrou o valor de imagens de baixa qualidade quando se trata de uma região totalmente desconhecida: mesmo ruidosas, as fotografias bastaram para responder à pergunta central, a de que o lado oculto era diferente do visível.
O que os registros não esclarecem
Não foi possível confirmar, nas fontes consultadas, a massa da sonda, o lançador, o tempo de operação da câmera nem o fim da comunicação, e esses dados foram omitidos. A discrepância entre 29 e 17 fotografias e entre 6 e 7 de outubro também permanece sem explicação oficial nas páginas lidas.
Para aprofundar, vale ler as páginas da NASA sobre a primeira fotografia do lado oculto e a visualização que compara a Luna 3 ao LRO, além do texto da Sociedade Planetária sobre a origem da imagem processada.
Fontes consultadas
- First Close-up of the Far Side of the Moon — NASA ScienceFonte oficial
- First Photo of the Lunar Far Side — NASA ScienceFonte oficial
- Lunar Far Side: From Luna 3 to LRO — NASA Scientific Visualization StudioFonte oficial
- Lunar Exploration Timeline — NASA NSSDCAFonte oficial
- The Averted Side of the Moon (APOD, 9 de outubro de 2004) — NASA APODFonte oficial
- Deep Space Robotic Firsts — NASA ScienceFonte oficial
- First View of the Lunar Far Side — The Planetary SocietyComplementar
Fontes conferidas em 29 de setembro de 2026. Encontrou um erro? Escreva para [email protected] ou consulte a página de correções.
