
Objetivo
Sobrevoar Plutão e sua lua Charon, transmitir imagens e dados à Terra e, em seguida, seguir para o Cinturão de Kuiper para observar outros objetos.
Resultado
New Horizons fez o primeiro sobrevoo de Plutão em 14 de julho de 2015 e mostrou um sistema muito mais complexo do que o esperado. A sonda seguiu depois para o objeto Arrokoth, sobrevoado em 1º de janeiro de 2019.
Contexto
Plutão ficou, durante décadas, como um ponto de luz difuso nas melhores imagens de telescópios. Para revelar seu relevo, sua atmosfera e suas luas, foi preciso enviar uma sonda até a fronteira do Sistema Solar. A New Horizons, missão da NASA gerida pelo Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins e conduzida cientificamente pelo Southwest Research Institute (SwRI), foi desenhada para isso: explorar o sistema de Plutão, no Cinturão de Kuiper, além da órbita de Netuno.
O objetivo declarado no catálogo do NSSDC, o arquivo de dados da NASA, era sobrevoar Plutão e sua lua Charon, transmitir imagens e dados à Terra e, depois, seguir para o Cinturão de Kuiper a fim de observar outros objetos. Desde o início, portanto, a missão foi planejada em duas etapas, com um encontro principal e outro, opcional, posterior.
A missão e o lançamento
A New Horizons foi lançada em 19 de janeiro de 2006, às 19h00 UT (14h00 no horário de Nova York), por um foguete Atlas V 551 com terceiro estágio Star 48B, a partir de Cabo Canaveral, nos Estados Unidos. A NASA relata que a viagem até Plutão durou cerca de nove anos e meio e cerca de 3 bilhões de milhas, o equivalente a mais de 4,8 bilhões de quilômetros.
A carga científica reúne o gerador de imagens de longo alcance LORRI, o conjunto Ralph, que inclui a câmera visível MVIC e o espectrômetro de infravermelho próximo LEISA, e o espectrômetro ultravioleta Alice. Há ainda o pacote de plasma e partículas PAM, com os instrumentos SWAP e PEPSSI, o experimento de rádio REX e um contador de poeira construído por estudantes, o SDC. Com essa composição, a sonda podia mapear a superfície, analisar a composição química e estudar a atmosfera e o ambiente de partículas ao redor de Plutão.
O sobrevoo de 14 de julho de 2015
O ponto de maior aproximação ocorreu em 14 de julho de 2015, às 11h48min45s UT, segundo o NSSDC. A sonda passou a cerca de 12.500 quilômetros de Plutão, com velocidade relativa de aproximadamente 11 quilômetros por segundo, e chegou a cerca de 27.000 quilômetros de Charon. As melhores imagens obtidas alcançaram resoluções da ordem de 25 metros por pixel. A NASA descreve o evento como o primeiro sobrevoo de Plutão e de suas luas por uma nave.
Vale registrar uma diferença entre fontes quanto à distância mínima. O catálogo NSSDC fala em cerca de 12.500 quilômetros, e a página de visualização da NASA cita 7.750 milhas, o que equivale a um valor próximo. Já um comunicado do SwRI menciona 13.691 quilômetros, medidos a partir da superfície. Como as fontes se referem a referências diferentes, este texto adota a cifra aproximada do NSSDC e a apresenta como valor aproximado.
O que a sonda encontrou em Plutão
Os dados mostraram um mundo bem mais complexo do que se supunha. A NASA destaca manchas claras e escuras, ligadas a diferenças geológicas, e uma superfície de aparência jovem, com poucas crateras. Entre as feições descritas estão a Sputnik Planitia, que a agência qualifica como a maior geleira de gelo de nitrogênio do Sistema Solar, montanhas de gelo de água, geleiras em movimento e indícios de possíveis criovulcões. A NASA menciona ainda uma atmosfera com camadas de névoa e um processo pelo qual hidrocarbonetos pesados da atmosfera de Plutão são transferidos para Charon.
Um primeiro artigo científico da equipe, publicado em 16 de outubro de 2015, descreveu Plutão como maior e mais rico em gelo do que se esperava antes da missão, com crosta rica em gelo de água e várias camadas de névoa. O trabalho concluiu, em tradução livre, que planetas pequenos podem permanecer ativos bilhões de anos depois de sua formação. Sobre Charon, os autores apontaram extensa renovação da superfície e tectônica extensional, além de um terreno escuro intrigante no polo norte.
As luas e o volume de dados
Segundo o SwRI, a New Horizons obteve as primeiras imagens resolvidas de Nix e Hydra. Nix tem cerca de 54 quilômetros de comprimento e Hydra, cerca de 43 quilômetros, ambas com refletividade superficial bem superior à de Charon. O comunicado afirma que nenhuma lua nova foi descoberta na ocasião. O sistema de Plutão tem, ao todo, cinco luas conhecidas: Charon, Styx, Nix, Kerberos e Hydra, conforme o CNES.
A sonda coletou mais de 50 gigabits de dados no sistema de Plutão, e o SwRI informou que seria preciso quase mais um ano para transmitir tudo à Terra. Em 2017, a NASA divulgou mosaicos globais de Plutão e Charon com resolução de 300 metros por pixel, feitos com as imagens de maior resolução dos instrumentos LORRI e MVIC. O hemisfério sul, ao sul de cerca de 30 graus de latitude, permaneceu na escuridão durante o encontro e não foi mapeado.
Participantes
A missão é da NASA, com gestão do APL e liderança científica do SwRI. O CNES informa que apoia os laboratórios de pesquisa franceses envolvidos e que vários cientistas europeus integram a equipe científica. Como em outras missões de espaço profundo, a operação dependeu ainda de antenas de comunicação em várias partes do mundo, embora as fontes consultadas não detalhem a rede empregada no sobrevoo.
Legado e o que vem depois
Depois de Plutão, a New Horizons sobrevoou o objeto Arrokoth do Cinturão de Kuiper em 1º de janeiro de 2019. A NASA descreve o corpo como alongado, com cerca de 35 quilômetros de ponta a ponta e dois lóbulos distintos, um em forma de lente e outro mais arredondado. A agência informa que a nave continua em operação e coleta dados de heliofísica enquanto segue pelo Sistema Solar externo, e que em outubro de 2024 ela já estava a 60 unidades astronômicas do Sol, o dobro da distância de Plutão no encontro.
O que ainda não se sabe também faz parte do legado. Terrenos ao sul de cerca de 30 graus de latitude não foram mapeados, e as fontes consultadas não explicam em detalhe a origem de cada feição descrita. As fontes usadas aqui divergem em alguns valores, como a massa da nave e a contagem de instrumentos, e por isso esses números foram omitidos.
Fontes consultadas
- New Horizons (catálogo NSSDC) — NASA NSSDCFonte oficial
- New Horizons — NASA ScienceFonte oficial
- New Horizons Unveils New Maps of Pluto, Charon on Flyby Anniversary — NASAFonte oficial
- Pluto flyby visualization page — NASA Scientific Visualization StudioFonte oficial
- New Horizons — CNESFonte oficial
- Just three months after flyby, New Horizons team publishes first research paper presenting numerous Pluto system findings — Southwest Research InstituteComplementar
- The Rich Color Variations of Pluto (PIA19952) — NASA PhotojournalFonte oficial
Fontes conferidas em 29 de setembro de 2026. Encontrou um erro? Escreva para [email protected] ou consulte a página de correções.



