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3 de novembro de 1957 · Órbita da Terra

Sputnik 2 e Laika: o primeiro animal em órbita

Um mês depois do Sputnik 1, a União Soviética lançou um satélite mais de seis vezes mais pesado com a cadela Laika, o primeiro ser vivo a orbitar a Terra, numa missão sem plano de retorno.

Leitura de 5 min · URSS/Roscosmos

Objetivo

Manter a iniciativa soviética após o Sputnik 1 e verificar se um ser vivo poderia sobreviver em órbita, com um satélite maior e um habitáculo para um animal.

Resultado

O satélite chegou à órbita levando a cadela Laika, primeiro animal a orbitar a Terra. Ela morreu em órbita, sem que houvesse meios de recuperá-la, e o satélite reentrou na atmosfera em 14 de abril de 1958.

Contexto: um novo feito em um mês

Depois do sucesso do Sputnik 1, em 4 de outubro de 1957, a liderança soviética queria manter a vantagem política e técnica que o lançamento tinha criado. Segundo o relato incluído no acervo de história da NASA, o líder Nikita Khrushchev pediu ao projetista-chefe Sergei Korolev algo novo no espaço para o aniversário da revolução, cujas comemorações de 40 anos estavam previstas para o início de novembro. Isso deixou pouco mais de um mês para projetar e construir um novo satélite.

A NASA descreve a decisão como movida em boa parte pelo valor de propaganda. O resultado seria uma nave muito maior do que a anterior e, sobretudo, com um passageiro vivo. Na mesma época, os Estados Unidos ainda não tinham conseguido colocar nenhum satélite em órbita, e a comparação entre os dois programas alimentava a percepção de que o país estava atrás.

O satélite e sua passageira

O Sputnik 2 tinha cerca de 508 quilos, mais de seis vezes a massa do primeiro satélite, segundo a NASA. De acordo com o relato de Harford, o conjunto incluía uma cobertura que abrigava o compartimento com o cão e uma réplica da esfera do Sputnik 1. O satélite permaneceu ligado ao estágio do foguete que o levou à órbita.

A passageira era Laika, uma cadela sem raça definida. Ela viajou em uma cabine pressurizada, segundo os materiais educativos do Centro Goddard, da NASA, que exibem um modelo da cabine. Relatos citados por Harford afirmam que a cadela latiu e se alimentou durante o voo, informação que deve ser lida com cautela, por vir de relatos indiretos.

Por causa do prazo, não houve tempo para preparar um sistema de recuperação. A NASA afirma que a missão não previa o retorno da cabine, e que o sistema de controle do ambiente não foi projetado para uma estada longa. Do ponto de vista científico, o objetivo era observar se um ser vivo podia sobreviver à aceleração do lançamento e à ausência de peso; do ponto de vista político, era repetir e ampliar o impacto do Sputnik 1.

Como foi o voo

O lançamento ocorreu em 3 de novembro de 1957. O satélite entrou em órbita e, com isso, Laika tornou-se o primeiro animal a circular a Terra. As fontes consultadas, porém, descrevem falhas no comportamento térmico do conjunto: segundo Harford, a cabine superaqueceu porque o estágio de propulsão não se separou como planejado, o que prejudicou os sistemas de controle térmico.

Quanto ao tempo de sobrevivência, a NASA afirma que é provável que Laika tenha vivido apenas algumas horas após chegar à órbita. Esse ponto merece atenção, porque outras publicações mais antigas citam períodos maiores, e os documentos consultados não permitem reconstruir com precisão o momento da morte. Este texto, por isso, adota a formulação prudente da NASA e não afirma uma hora ou um dia exatos.

As baterias do satélite falharam em 10 de novembro de 1957. O Sputnik 2 continuou em órbita, já sem funcionar, até queimar na reentrada em 14 de abril de 1958, cerca de 162 dias após o lançamento.

Repercussão política e ética

A missão teve grande efeito público. A NASA lembra a frase atribuída a Robert Gilruth, que mais tarde dirigiria o programa de voo tripulado americano: ao ver o cão subir, teria pensado que os Estados Unidos precisavam se apressar (em tradução livre, algo como: quando vi o cachorro subir, disse: meu Deus, é melhor começarmos). A frase ilustra o clima da época e a percepção de que o lançamento mudava a corrida.

Ao mesmo tempo, a morte de Laika gerou reações. Harford registra que grupos de defesa dos animais protestaram, enquanto as autoridades soviéticas procuraram apresentar a cadela como uma mártir do progresso científico. A discussão sobre o custo ético dos experimentos com animais nos primeiros voos espaciais permanece parte da história do episódio, e o fato de que a missão não previa a volta do animal é um elemento central desse debate.

Resposta americana

O Sputnik 2 apareceu poucas semanas antes de uma sequência de fatos que marcaram a reação dos Estados Unidos. Em 21 de novembro de 1957, o presidente Eisenhower criou o Comitê Consultivo Científico da Presidência. Em 25 de novembro, começaram as audiências do Senado sobre a chamada lacuna de mísseis, sob a liderança de Lyndon Johnson, com o depoimento de dezenas de especialistas.

Em 6 de dezembro de 1957, o foguete Vanguard falhou em sua tentativa de lançamento. Em 31 de janeiro de 1958, o Explorer 1 chegou à órbita. A NASA situa esses acontecimentos, junto com o lançamento soviético, entre os fatores que levaram à criação de uma agência civil dedicada ao espaço, formalizada em 1958.

Os voos seguintes com animais

A NASA observa que os soviéticos não lançaram outros animais por cerca de três anos. Os voos posteriores, ao contrário do de Laika, terminaram com a recuperação dos passageiros com vida, e serviram de etapa preparatória para o voo tripulado.

Assim, o Sputnik 2 é lembrado por duas razões que se contrapõem: como marco técnico, por levar à órbita pela primeira vez um ser vivo, e como episódio controverso, por ter sido planejado sem retorno. A experiência mostrou que a fisiologia de um animal podia, ao menos por algum tempo, suportar o lançamento e o ambiente orbital, mas não resolveu os desafios de longo prazo de sistemas de suporte à vida, que ainda demandariam projetos muito mais elaborados.

O que os registros não esclarecem

Alguns detalhes divulgados ao longo das décadas não foram confirmados nas fontes consultadas e por isso foram omitidos, como o peso exato da cadela, o local preciso do lançamento e a temperatura registrada na cabine. Também há divergência entre relatos sobre o momento em que Laika morreu, e este texto se limita à avaliação de que sobreviveu apenas algumas horas, segundo a NASA.

Para aprofundar, vale consultar o artigo da NASA sobre os sessenta anos do primeiro animal em órbita, o relato de Harford sobre a construção apressada do satélite e os materiais educativos do Centro Goddard, que mostram um modelo da cabine e selos comemorativos emitidos por vários países em homenagem à cadela.

Fontes consultadas

  1. 60 Years Ago: The First Animal in Orbit — NASAFonte oficial
  2. Korolev and Sputnik (Harford) — NASAFonte oficial
  3. Dawn of the Space Age — NASAFonte oficial
  4. Laika, the first dog in space (StarChild) — NASAFonte oficial
  5. 65 Years Ago: The National Aeronautics and Space Act of 1958 Creates NASA — NASAFonte oficial

Fontes conferidas em 29 de setembro de 2026. Encontrou um erro? Escreva para [email protected] ou consulte a página de correções.

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