
Objetivo
Demonstrar o lançamento seguro até a órbita e o retorno seguro do orbitador e da tripulação, verificando o desempenho combinado do orbitador, dos foguetes auxiliares de combustível sólido e do tanque externo.
Resultado
O Columbia completou cerca de 54 horas de voo, com 37 órbitas, e pousou na Base Aérea de Edwards em 14 de abril de 1981. A NASA registra a perda de 16 placas do escudo térmico e danos em outras 148 durante o voo.
Contexto
Até 12 de abril de 1981, todas as naves tripuladas americanas tinham sido usadas uma única vez. As cápsulas dos programas Mercury, Gemini e Apollo voltavam à Terra e eram apenas recuperadas ou expostas em museus. O ônibus espacial nasceu com uma proposta diferente: um veículo com asas, o orbitador, que subiria com auxílio de foguetes e de um tanque externo, ficaria em órbita e voltaria para pousar como uma aeronave, pronto para ser preparado para novos voos.
A missão STS-1, sigla de Space Transportation System, foi o primeiro teste dessa ideia em voo real. Segundo a NASA, era o primeiro voo espacial tripulado dos Estados Unidos desde o Projeto de Teste Apollo-Soyuz, em 1975. O programa já vinha sendo preparado havia anos: a NASA informa que o Columbia chegou ao Centro Espacial Kennedy em 24 de março de 1979, foi acoplado ao tanque externo e aos foguetes auxiliares em 24 de novembro de 1979 e seguiu para a plataforma de lançamento em 29 de dezembro de 1980.
Por ser um teste, a missão não levou satélite algum. A baia de carga permaneceu vazia, com exceção de equipamentos de medição. O objetivo era simples de enunciar e difícil de cumprir: mostrar que o sistema completo funcionava.
A tripulação e o veículo
O Columbia levou apenas dois astronautas, número menor do que o das missões posteriores do programa. O comandante era John W. Young, que, segundo a NASA, estava no quinto voo espacial. O piloto era Robert L. Crippen, que estreava no espaço. A dupla conduziu uma nave que jamais havia voado com tripulação.
O conjunto de lançamento tinha três componentes principais: o orbitador, um grande tanque externo de propelentes e dois foguetes auxiliares de combustível sólido. Segundo o relato histórico da NASA, o empuxo somado dos motores principais do orbitador e dos foguetes auxiliares chegava a cerca de sete milhões de libras-força. Os foguetes auxiliares se separaram por volta de dois minutos depois da decolagem, a uma altitude de cerca de 31 milhas, e os motores principais funcionaram por aproximadamente oito minutos até a inserção em órbita. O tanque externo foi descartado e caiu no oceano, sem ser recuperado.
A carga científica da missão se resumiu a instrumentação para medir o comportamento do próprio veículo. A NASA cita um conjunto de instrumentação de voo de desenvolvimento e uma plataforma de identificação de coeficientes aerodinâmicos, além de equipamentos para registrar temperaturas, pressões e acelerações.
Como foi o voo
A decolagem ocorreu em 12 de abril de 1981, por volta das 7h no horário do leste dos Estados Unidos, do Complexo de Lançamento 39A, no Centro Espacial Kennedy, na Flórida. Uma das páginas históricas da NASA registra o horário de 7h00 e três segundos. A NASA lembra que o veículo saiu do prédio de montagem rumo à plataforma pouco mais de três meses antes, em dezembro de 1980, como parte de uma preparação longa.
Em órbita, os dois astronautas avaliaram os sistemas de bordo. A NASA descreve testes dos motores do sistema de manobras orbitais, dos propulsores de controle de atitude e da abertura das portas da baia de carga. O relato histórico afirma que a nave completou uma órbita em menos de duas horas e atingiu velocidade de aproximadamente 17.322 milhas por hora. A NASA registra 37 órbitas ao redor da Terra; uma das páginas históricas fala em 36, uma divergência que não pôde ser esclarecida com as fontes abertas, e por isso o texto adota o número da página principal da missão.
O retorno foi a parte mais delicada. Diferentemente das cápsulas, o orbitador desceu sem propulsão, planando até a pista. O Columbia pousou em 14 de abril de 1981 na Base Aérea de Edwards, na Califórnia, em um leito de lago seco, o Rogers Dry Lake, segundo a NASA. A NASA informa que a missão durou dois dias, seis horas, 20 minutos e 53 segundos. O catálogo de dados do centro NSSDCA registra a mesma duração, expressa como 54 horas, 20 minutos e 53 segundos.
Resultados e o problema das placas térmicas
A NASA classifica o voo como um grande sucesso, e o reconhecimento veio na forma do Troféu Collier de 1981, concedido à equipe da agência e da indústria, com menção especial a Young, Crippen, Joe Engle e Richard Truly. Todos os objetivos principais, demonstrar a subida e a volta seguras, foram cumpridos.
O voo também revelou um problema. A NASA registra que o orbitador perdeu 16 placas do sistema de proteção térmica durante o lançamento e que outras 148 foram danificadas por ondas de sobrepressão geradas pelos foguetes auxiliares. Segundo a agência, modificações posteriores no sistema de supressão sonora por água eliminaram esse tipo de dano recorrente. O episódio mostra o valor de um voo de teste: dados reais sobre um efeito que simulações e ensaios em solo não haviam capturado por completo.
Depois do pouso, o Columbia voltou ao Centro Espacial Kennedy em 28 de abril de 1981, para ser preparado para as missões seguintes.
Legado
O STS-1 abriu um programa que, segundo a NASA, realizou 135 missões e levou 355 astronautas de mais de 60 países ao espaço. Os ônibus espaciais lançaram satélites, operaram laboratórios em órbita e, ao longo dos anos, participaram da montagem da Estação Espacial Internacional e das missões de serviço ao Telescópio Espacial Hubble.
O programa também teve custos humanos e técnicos graves, como o acidente do Challenger, em 1986. Essa história posterior não invalida o que o STS-1 demonstrou em 1981: a nova nave era capaz de ir à órbita e voltar em segurança com dois astronautas a bordo.
Para leitores que quiserem aprofundar, as páginas da NASA sobre o STS-1 trazem cronologia, imagens e depoimentos. O relato de Crippen, publicado na agência, é uma boa porta de entrada para entender como foi a experiência de pilotar a nave em sua estreia.
O que as fontes não esclarecem
Alguns detalhes variam entre as páginas consultadas. O número de órbitas aparece como 37 na maior parte dos textos e como 36 em uma página histórica. A massa registrada pelo catálogo NSSDCA para o voo também não é comparável com dados de outras fontes, e por isso não é usada aqui. Além disso, a NASA registra a hora da decolagem de forma resumida, sem detalhar o fuso em todas as páginas. O texto adota a expressão horário do leste dos Estados Unidos, como consta na fonte principal.
Esses pontos não alteram a narrativa central do evento, mas ajudam a mostrar por que a consulta a mais de uma fonte oficial é importante: registros históricos produzidos em momentos diferentes nem sempre coincidem em cada número.
Fontes consultadas
- STS-1 - NASA's First Space Shuttle Mission — NASAFonte oficial
- STS-1 astronaut Bob Crippen remembers the ride of his life — NASAFonte oficial
- STS-1 - The Flight of STS-1 (Columbia) — NASA HistoryFonte oficial
- STS-1 - NSSDCA Master Catalog — NASA NSSDCAFonte oficial
Fontes conferidas em 29 de setembro de 2026. Encontrou um erro? Escreva para [email protected] ou consulte a página de correções.



