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15 a 24 de julho de 1975 · Órbita da Terra

Apollo-Soyuz: o primeiro encontro em órbita entre EUA e URSS

Em julho de 1975, uma nave Apollo e uma Soyuz se acoplaram em órbita, no primeiro voo conjunto entre Estados Unidos e União Soviética. Os cinco tripulantes passaram cerca de dois dias unidos.

Leitura de 5 min · NASA · URSS/Roscosmos

Thomas Stafford e Aleksei Leonov trocam o aperto de mão no túnel que liga as naves Apollo e Soyuz, em quadro de filme de 16 mm.
Thomas Stafford e Aleksei Leonov trocam o aperto de mão no túnel que liga as naves Apollo e Soyuz, em quadro de filme de 16 mm. Crédito: NASA (registro S75-29432, quadro de filme de 16 mm). Licença: Imagem da NASA, em geral sem sujeição a direitos autorais nos EUA (política de mídia da NASA). Página da imagem · Regras de uso

Objetivo

Testar a compatibilidade dos sistemas de encontro e acoplagem das duas naves e a possibilidade de um resgate espacial internacional, com base em um sistema de acoplagem padronizado.

Resultado

As naves se acoplaram em 17 de julho de 1975 e permaneceram unidas por cerca de 47 horas. Os objetivos principais foram cumpridos, com transferência de tripulantes e cinco experimentos conjuntos.

Contexto: um acordo entre potências rivais

O Projeto de Teste Apollo-Soyuz (ASTP, na sigla em inglês) foi o primeiro voo espacial conjunto entre os Estados Unidos e a União Soviética. Segundo a NASA, o acordo de cooperação foi assinado em 24 de maio de 1972, e a preparação da missão levou mais de três anos. A NASA descreve o voo como a primeira parceria internacional no espaço.

O objetivo declarado era testar a compatibilidade dos sistemas de encontro e acoplagem e a possibilidade de um resgate espacial internacional. Uma descrição do Marshall Space Flight Center acrescenta que a missão deveria fornecer a base de um sistema padronizado de acoplagem para naves tripuladas de diferentes países.

As naves e o módulo de acoplagem

Os dois lados usavam espaçonaves distintas. A americana era um conjunto Apollo, lançado por um foguete Saturn IB, e a soviética era a Soyuz, nave tripulada que, segundo a NASA, era a principal do país desde a sua introdução em 1967. O arquivo NSSDC registra a massa da nave Apollo da missão em 14.856 kg.

Para unir duas naves tão diferentes, uma equipe conjunta dos dois países desenvolveu um sistema de acoplagem que permitisse tanto a ligação em órbita quanto a passagem dos tripulantes de uma nave para outra. O resultado incluiu um grande módulo de acoplagem habitável, levado pela Apollo. A NASA explica que o módulo foi projetado e construído por ela e servia como câmara de compressão e corredor de transferência.

Os tripulantes e o treinamento conjunto

A tripulação americana era formada por Thomas Stafford, comandante, Donald "Deke" Slayton, piloto do módulo de acoplagem, e Vance Brand, piloto do módulo de comando. Pelo lado soviético, voaram Aleksei Leonov, comandante, e Valeri Kubasov, engenheiro de voo, a bordo da Soyuz 19.

Os registros fotográficos da NASA mostram que os astronautas e cosmonautas treinaram juntos nos dois países, no Centro Espacial Johnson e no centro de treinamento de cosmonautas perto de Moscou, usando simuladores do módulo de acoplagem e das duas naves. Em uma das fotografias, Slayton e Stafford aparecem em uma aula de língua russa. As imagens listam ainda tripulações reserva soviéticas, com nomes como Dzhanibekov, Filipchenko e Ivanchenko.

Lançamentos e acoplagem

A Soyuz foi lançada do cosmódromo de Baikonur, na região de Tyuratam, em 15 de julho de 1975, às 8h20 no horário de Nova York (EDT), o que equivale a 12h20 UTC. A Apollo saiu do complexo de lançamento 39B, no Centro Espacial Kennedy, na Flórida, no mesmo dia, às 15h50 no horário de Nova York (19h50 UTC).

A acoplagem ocorreu em 17 de julho de 1975, no terceiro dia depois do lançamento da Apollo, segundo o arquivo NSSDC. As duas naves permaneceram unidas por cerca de 47 horas, nos dias 17, 18 e 19 de julho. Uma das imagens mais conhecidas da missão, o aperto de mão entre Stafford e Leonov no túnel de ligação das naves, foi feita em 17 de julho de 1975 e reproduzida a partir de um quadro de filme de 16 mm.

Atividades conjuntas

Depois da acoplagem, houve transferência de tripulantes, e a tripulação da Apollo visitou primeiro a Soyuz, conforme o arquivo NSSDC. As duas equipes realizaram experimentos conjuntos e fizeram relatos por rádio e televisão. A NASA contabiliza cinco experimentos conjuntos e a troca de itens comemorativos entre as tripulações.

A NASA registra ainda que os objetivos principais da missão foram cumpridos: as naves fizeram encontro, acoplagem e desacoplagem, houve transferência de tripulantes entre elas e foi demonstrada a interação entre os centros de controle e as tripulações dos dois países. Depois da desacoplagem, cada nave seguiu sua própria missão.

Retorno da Apollo

A cápsula Apollo, com Stafford, Brand e Slayton a bordo, amerrissou no oceano Pacífico central, na região do Havaí, às 16h18 no horário central dos Estados Unidos (CDT) de 24 de julho de 1975, o equivalente a 21h18 UTC. O navio principal de recuperação foi o USS New Orleans. Mergulhadores da Marinha dos Estados Unidos instalaram um colar de flutuação na cápsula, e os tripulantes permaneceram nela até que fosse içada a bordo.

A NASA resume a missão como um voo de nove dias. As páginas oficiais consultadas não informam a data e o local de pouso da Soyuz 19, e por isso esses dados não são apresentados aqui.

Legado

A missão foi o último uso de um foguete da família Saturn. O Saturn IB desenvolvido sob a direção do Marshall Space Flight Center lançou cinco missões tripuladas em órbita da Terra entre 1968 e 1975: Apollo 7, Skylab 2, Skylab 3, Skylab 4 e o projeto Apollo-Soyuz.

O voo também tem valor simbólico. Em 1995, a NASA lembrou o encontro de 17 de julho de 1975 ao registrar o aperto de mão entre o comandante Robert Gibson, do ônibus espacial, e o cosmonauta Vladimir Dezhurov, da estação Mir, dias antes do 20º aniversário do encontro entre Stafford e Leonov.

O que não foi confirmado

Algumas informações comumente citadas sobre a missão ficaram de fora porque não constam das fontes oficiais citadas: o horário exato da acoplagem, a lista dos experimentos, o resultado técnico de cada um e ocorrências durante a reentrada da Apollo. Também não foram confirmados a data do pouso da Soyuz 19 nem detalhes do desempenho do sistema de acoplagem.

As fontes divergem em pequenos pontos de apresentação. Enquanto a NASA fala em duração de nove dias, os registros de imagem indicam que as naves ficaram unidas por cerca de 47 horas, em três dias de calendário. Os dois números se referem a intervalos diferentes: o primeiro à missão como um todo, o segundo ao período de acoplagem. Para aprofundar, a NASA mantém uma página dedicada ao projeto e a Biblioteca de Imagens e Vídeos reúne fotografias do treinamento e do voo.

Fontes consultadas

  1. Apollo-Soyuz Test Project — NASAFonte oficial
  2. ASTP Apollo (dados da espaçonave) — NASA Space Science Data Coordinated Archive (NSSDCA)Fonte oficial
  3. Apollo-Soyuz Test Project: conceito e objetivos (registro 0101488) — NASA Marshall Space Flight Center, via NASA Image and Video LibraryFonte oficial
  4. Handshake in Space (registro S75-29432) — NASA Johnson Space Center, via NASA Image and Video LibraryFonte oficial
  5. ASTP Apollo Command Module awaits pickup (registro S75-29717) — NASA Johnson Space Center, via NASA Image and Video LibraryFonte oficial

Fontes conferidas em 29 de setembro de 2026. Encontrou um erro? Escreva para [email protected] ou consulte a página de correções.

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