Objetivo
Investigar se já houve vida em Marte, perfurando até 2 metros de profundidade em uma região rica em argilas, segundo a ESA.
Situação e resultado
O jipe ainda não foi lançado. Em 2026, a ESA divulgou testes de paraquedas, de pernas e de rampas, além de um estudo que amplia a área de argilas em torno do local de pouso.
Contexto
O ExoMars é um programa da Agência Espacial Europeia que busca responder se já existiu vida em Marte. Ele tem duas partes. A primeira é o Trace Gas Orbiter, lançado em 14 de março de 2016 por um foguete Proton-M com estágio Breeze-M. Segundo a ESA, ele entrou em órbita de Marte em 19 de outubro de 2016, passou por uma fase de frenagem atmosférica entre março de 2017 e março de 2018 e começou as operações científicas em março de 2018.
A segunda parte é o jipe Rosalind Franklin, o primeiro veículo de superfície europeu destinado a Marte. Ele ainda não partiu. A ESA afirma que o lançamento está previsto para 2028, em um foguete Falcon Heavy, e este artigo trata dessa segunda parte como missão planejada.
A separação entre o que já ocorreu e o que é previsão é importante aqui. O orbitador existe e opera. O jipe, por enquanto, está em preparação na Terra e ainda não tem data firme de partida.
O jipe Rosalind Franklin
Segundo a ficha técnica da ESA, o jipe tem 2 metros de altura por 2,5 metros de largura e massa de 310 quilos. Seu recurso mais marcante é uma broca capaz de coletar amostras até 2 metros abaixo da superfície, o que permitirá analisar material do subsolo e não apenas o da superfície.
A ESA informa que o jipe carrega oito instrumentos principais, entre câmeras, espectrômetros e um laboratório analítico que examinará as amostras coletadas. A agência cita também um radar de penetração no solo. As equipes dos instrumentos envolvem pesquisadores de sete países, e a NASA contribui com o instrumento MOMA.
Sobre a mobilidade, há uma diferença entre páginas da ESA: a ficha do programa fala em deslocamentos de 50 a 100 metros por dia marciano, enquanto a página geral do ExoMars menciona 70 metros por dia. Como se trata de estimativas de projeto e as duas são compatíveis, este texto usa a faixa da ficha técnica.
Oxia Planum e a busca por sinais de vida
O local escolhido para o pouso é Oxia Planum, uma região rica em argilas em uma bacia aberta de Marte. Argilas se formam em presença de água, por isso costumam interessar aos cientistas que procuram ambientes antigos que poderiam ter sido habitáveis.
Em junho de 2026, a ESA divulgou um estudo segundo o qual os depósitos de argila se estendem por mais do que se estimava, cerca de 600 quilômetros, de Oxia Planum até Mawrth Vallis. A agência menciona que a formação dessas argilas remonta a cerca de 4 bilhões de anos. O estudo aponta que o cenário pode ter sido um vasto oceano antigo ou uma inundação extensa de água subterrânea, e não escolhe uma das hipóteses.
O mesmo trabalho identifica uma paleosuperfície que indica uma pausa na sedimentação, seguida de uma mudança na química da água e na mineralogia. A missão, portanto, pretende examinar um ambiente antigo e complexo, e não um ponto isolado. Isso não garante que se encontrem sinais de vida: é o propósito declarado da investigação.
Parceiros e responsabilidades
A ESA identifica a Thales Alenia Space Itália como contratada principal e a Airbus, do Reino Unido, como líder do desenvolvimento do jipe. A agência também descreve nove equipes de instrumentos com investigadores de sete países.
A NASA participa com o instrumento MOMA, segundo a ficha da ESA. Outros aspectos da cooperação internacional, como quem fornece cada elemento do lançamento e do pouso, não constam nas páginas consultadas e, por isso, não são detalhados aqui.
A preparação em 2026
A página do ExoMars lista uma série de conteúdos de 2026 que mostram a preparação do veículo. Em abril, a ESA divulgou imagens e um vídeo sobre a preparação de um paraquedas para Marte, incluindo uma etapa de aquecimento, chamada pela ESA de bake-out. Em maio, publicou um vídeo sobre a aterrissagem lateral, e em julho, imagens de rampas testadas contra frio, vibração e vácuo.
Em agosto, foi mostrado o jipe estendendo as pernas, e em setembro, um vídeo intitulado Separação para Marte. Esses são os títulos apresentados pela ESA; os detalhes técnicos de cada teste não foram lidos e, por isso, não são descritos neste texto.
A sequência de imagens e vídeos indica um programa em fase de testes, mas não substitui um comunicado oficial de data de lançamento.
O que ainda não está confirmado
A ESA informa que o lançamento está previsto para 2028, mas as páginas consultadas não trazem o mês nem a janela de lançamento. Também não trazem a data de chegada a Marte nem a duração da missão na superfície.
Nada foi descoberto ainda sobre vida em Marte pelo jipe, que não partiu. A presença de argilas e de água antiga indica um ambiente potencialmente favorável, mas isso não significa que houve vida.
Não há, nas fontes lidas, detalhes sobre o papel de outros parceiros no lançamento e no pouso além dos citados acima. Este texto foi verificado em 29 de setembro de 2026 e deve ser lido com cautela quanto a todas as datas futuras.
O que ainda não está confirmado
- Data e janela exatas do lançamento em 2028
- Data de chegada a Marte, não informada nas páginas consultadas
- Duração da missão na superfície, não informada nas páginas consultadas
- Se haverá vida ou sinais dela nas amostras, o que só poderá ser avaliado após o pouso
Fontes consultadas
- ExoMars (página do programa) — ESAFonte oficial
- ExoMars Factsheet — ESAFonte oficial
- ExoMars rover targets vast bed of clay in search for life — ESAFonte oficial
Fontes conferidas em 29 de setembro de 2026. Encontrou um erro? Escreva para [email protected] ou consulte a página de correções.



