
Objetivo
Obter imagens de alta resolução de Marte, caracterizar a atmosfera e a superfície e procurar evidências de vida no planeta, com uma sonda formada por um orbitador e um módulo de pouso.
Resultado
A Viking 1 pousou em Chryse Planitia em 20 de julho de 1976 e operou por mais de seis anos. Os experimentos biológicos não trouxeram evidência clara de microrganismos vivos, mas revelaram atividade química inesperada no solo.
Contexto e objetivos
O Projeto Viking, da NASA, foi formado por duas espaçonaves idênticas, a Viking 1 e a Viking 2, lançadas em 1975 e chegadas a Marte no verão de 1976. Cada uma combinava um orbitador e um módulo de pouso. Segundo a NASA, a Viking 1 foi a primeira missão dos Estados Unidos a pousar com segurança na superfície de Marte e a enviar imagens de lá.
Os objetivos principais eram obter imagens de alta resolução, caracterizar a atmosfera e a superfície do planeta e procurar evidências de vida. O projeto custou cerca de 1 bilhão de dólares, segundo o arquivo NSSDC, e a missão principal foi planejada para 90 dias, prazo que as duas naves superaram largamente.
As espaçonaves
O conjunto orbitador e módulo de pouso da Viking 1 tinha, com combustível, cerca de 3.530 kg, segundo o NSSDC. Na separação, o módulo de pouso tinha cerca de 600 kg e o orbitador, 900 kg.
O orbitador tinha estrutura octogonal de cerca de 2,5 metros de largura e 3,29 metros de altura, com uma envergadura de 9,75 metros entre as pontas dos painéis solares. O módulo de pouso carregava duas câmeras que varriam a paisagem em 360 graus, uma antena de alto ganho para comunicação direta com a Terra, um gravador de fita de 40 megabits e uma memória de computador de 6.000 palavras. A energia vinha de duas unidades geradoras de radioisótopos, cada uma com 30 watts, apoiadas por baterias recarregáveis de níquel-cádmio.
Lançamento, cruzeiro e órbita marciana
A Viking 1 foi lançada em 20 de agosto de 1975 por um foguete Titan IIIE-Centaur, a partir de Cabo Canaveral. A viagem até Marte durou 304 dias. Em 19 de junho de 1976, a nave entrou em órbita do planeta.
A separação ocorreu em 20 de julho de 1976, por volta de 8h51 UTC, segundo o registro do orbitador no NSSDC, e a descida levou cerca de três horas até o toque na superfície.
O pouso em Chryse Planitia
O módulo de pouso tocou o solo de Marte em 20 de julho de 1976, na região oeste de Chryse Planitia, nas coordenadas de cerca de 22,27 graus norte e 312,05 graus leste. O horário exato difere entre duas páginas do NSSDC: o registro do módulo de pouso indica 11h53min06s UTC, e o do orbitador, 11h56min06s UTC. Em ambos os casos, a hora local marciana era o fim da tarde, cerca de 16h13 segundo o registro do módulo de pouso.
A velocidade de toque foi de aproximadamente 2,4 metros por segundo. O módulo tinha três motores de aterrissagem com empuxo ajustável e carregava 85 kg de propelente, dos quais restavam cerca de 22 kg no momento do pouso. Nem tudo funcionou como previsto. O sismógrafo não foi liberado da posição travada, e a trava do braço amostrador levou cinco dias para ser solta.
Minutos depois do pouso, a Viking 1 fez a primeira fotografia da superfície de Marte. Segundo a NASA, o centro da imagem estava a cerca de 1,4 metro da câmera 2, e mostrava rochas de faces angulares, solo fino de areia ou poeira e parte de um dos pés do módulo. A rocha maior no centro da cena media cerca de 10 centímetros. Uma descrição da NASA nota que o registro de sombras revela detalhes por causa da luz espalhada pela atmosfera marciana.
Resultados científicos
O módulo realizou três experimentos biológicos para detectar microrganismos. A NASA afirma que eles encontraram atividade química inesperada e enigmática no solo marciano, mas sem evidência clara da presença de organismos vivos. As análises identificaram, segundo a mesma página, todos os elementos essenciais à vida: carbono, nitrogênio, hidrogênio, oxigênio e fósforo.
Em termos mais amplos, o projeto caracterizou Marte como um planeta frio, com solo de origem vulcânica e uma atmosfera fina de dióxido de carbono, além de trazer evidências marcantes de antigos leitos de rios e de grandes inundações. Uma panorâmica de 300 graus feita logo após o pouso mostrou dunas de material fino, rochas parcialmente soterradas por areia e possíveis formas de erosão pelo vento, segundo a legenda da imagem.
Operação e fim da missão
O módulo de pouso operou por mais de seis anos em Chryse Planitia. A última transmissão foi em 11 de novembro de 1982, segundo a NASA Science, enquanto o NSSDC registra o fim das operações em 13 de novembro de 1982.
O orbitador funcionou até agosto de 1980, com cerca de 1.485 a 1.488 órbitas: a NASA Science informa 7 de agosto e 1.488 órbitas, e o NSSDC registra o fim em 17 de agosto, após 1.485 órbitas. Um ano depois do pouso, o orbitador da Viking 1 fez a primeira fotografia detalhada da lua Fobos, segundo uma descrição da NASA sobre imagens do Hubble.
A Viking 2 e o legado
A Viking 2 foi lançada em 9 de setembro de 1975, entrou em órbita de Marte em 7 de agosto de 1976 e pousou em 3 de setembro de 1976 em Utopia Planitia, a mais de 4.000 milhas (cerca de 6.400 quilômetros) do local da Viking 1, segundo a NASA. Seu orbitador funcionou até 25 de julho de 1978 e o módulo de pouso enviou dados pela última vez em 11 de abril de 1980.
Este texto se limita ao que consta nas páginas oficiais citadas. Detalhes sobre o desempenho de cada experimento e a interpretação dos resultados biológicos ao longo dos anos não constam dessas fontes e foram omitidos. As mesmas fontes também divergem em alguns horários e datas, como apontado acima, e por isso o artigo indica as duas versões.
Fontes consultadas
- Viking 1 Orbiter — NASA Space Science Data Coordinated Archive (NSSDCA)Fonte oficial
- Viking 1 Lander — NASA Space Science Data Coordinated Archive (NSSDCA)Fonte oficial
- Viking — NASA ScienceFonte oficial
- First Photograph Taken on Mars Surface (PIA00381) — NASA Photojournal (JPL)Fonte oficial
Fontes conferidas em 29 de setembro de 2026. Encontrou um erro? Escreva para [email protected] ou consulte a página de correções.



