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Agências Espaciais

JAXA

Agência japonesa criada em outubro de 2003 pela fusão de três organizações. Reúne pesquisa espacial, aeronáutica e desenvolvimento de foguetes, com destaque para Hayabusa, o módulo Kibo e o pouso de precisão da sonda SLIM.

Leitura de 6 min · Atualizado em 29 de setembro de 2026

Fundação: três organizações em uma

A JAXA foi estabelecida em outubro de 2003, quando três instituições japonesas independentes foram fundidas: o Instituto de Ciência Espacial e Astronáutica (ISAS), o Laboratório Aeroespacial Nacional do Japão (NAL) e a Agência Nacional de Desenvolvimento Espacial do Japão (NASDA). Cada uma trazia uma vocação diferente. O ISAS se dedicava à pesquisa espacial e planetária, o NAL, à pesquisa em aviação, e a NASDA, ao desenvolvimento de foguetes maiores e de aplicações espaciais.

A reunião permitiu, segundo a apresentação da própria agência, uma abordagem contínua e sistemática, da pesquisa básica ao desenvolvimento e à utilização. Em termos práticos, uma única organização passou a cuidar de foguetes, satélites, exploração científica, voo tripulado e aeronáutica.

A linha do tempo institucional registra ainda outros passos. Em fevereiro de 2005 foi apresentada a JAXA Vision 2025, documento de longo prazo, e em outubro de 2013 foi adotado o slogan Explore to Realize (explorar para realizar). Em abril de 2015 a agência foi reestruturada como Agência Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento, formato que reforça sua função de pesquisa.

Sede e centros

A sede fica no Centro Aeroespacial de Chofu, em Tóquio, no bairro de Jindaiji Higashi-machi. A JAXA mantém também um escritório em Tóquio e escritórios no exterior, em Washington, Houston, Paris, Moscou e Bangcoc, voltados à coordenação internacional.

O trabalho técnico se distribui por vários centros. O Centro Espacial de Tsukuba, na província de Ibaraki, reúne desenvolvimento de satélites e operações espaciais; é de lá que a equipe de controle de voo gerencia o módulo japonês da Estação Espacial Internacional. O Centro Espacial de Tanegashima, na província de Kagoshima, cuida de operações de lançadores. O de Uchinoura, também em Kagoshima, opera lançadores menores. O de Kakuda, em Miyagi, testa motores e sistemas de propulsão, e o Centro de Testes de Foguetes de Noshiro, em Akita, testa motores.

Há ainda o Centro de Observação da Terra, em Saitama, dedicado ao processamento de dados de satélite; o campus de Sagamihara, em Kanagawa, ligado ao instituto de ciência espacial; e o Centro de Espaço Profundo de Usuda, em Nagano, usado para rastreamento e comunicação com naves. Essa distribuição geográfica reflete a herança das três organizações que deram origem à agência.

Lançadores: do H-IIA ao H3

O foguete H-IIA é o lançador de grande porte mais conhecido da agência. Seu primeiro voo ocorreu em 29 de agosto de 2001, antes da criação da JAXA, e a página oficial registra 42 voos bem-sucedidos até 20 de julho de 2020, quando levou a sonda da Missão a Marte dos Emirados Árabes Unidos. O único fracasso listado foi o do voo 6, em novembro de 2003. A JAXA descreve o índice de sucesso como um dos mais altos do mundo, e as operações de lançamento foram transferidas à Mitsubishi Heavy Industries em 2007, ficando a agência com a supervisão de segurança.

O sucessor é o H3, desenvolvido, segundo a JAXA, com três metas: flexibilidade, confiabilidade e bom custo-benefício. O segundo voo de teste, o H3TF2, decolou em 17 de fevereiro de 2024, às 9h22 no horário do Japão, de Tanegashima, e a segunda etapa alcançou a órbita prevista.

Os lançadores sustentam as missões científicas e as aplicações da agência. A sonda Hayabusa2, por exemplo, foi lançada por um H-IIA em dezembro de 2014, e vários satélites de observação da Terra, de navegação e de comunicação também usaram esse foguete.

Ciência planetária: Hayabusa e Hayabusa2

A sonda Hayabusa chegou ao asteroide Itokawa em setembro de 2005 e retornou à Terra em junho de 2010, segundo a linha do tempo da agência. Foi a base tecnológica para a sucessora, a Hayabusa2, que a JAXA descreve como herdeira de tecnologia de espaço profundo já comprovada, com melhorias e novidades.

A Hayabusa2 foi lançada em 3 de dezembro de 2014, do Centro Espacial de Tanegashima, a bordo do H-IIA número 26. Em 22 de fevereiro de 2019 tocou a superfície do asteroide Ryugu e coletou material. Em 5 de abril de 2019, liberou um dispositivo de impacto para criar a primeira cratera artificial em um asteroide, e em 11 de julho de 2019 fez um segundo toque, coletando material do subsolo. A nave deixou Ryugu em 13 de novembro de 2019.

A cápsula com as amostras retornou à Terra em 5 de dezembro de 2020 e foi recuperada em 6 de dezembro, na Austrália. Segundo a JAXA, a coleta superou a meta: foram 5,4 gramas de material, contra 0,1 grama planejado, e a análise identificou matéria orgânica, como aminoácidos, além de água. A missão estendida previa, segundo a agência, a exploração do asteroide 2001 CC21 em 2026 e do asteroide 1998 KY26 em 2031.

Voo tripulado, ISS e o módulo Kibo

O Japão participa da Estação Espacial Internacional com o Módulo Experimental Japonês, batizado de Kibo (esperança). É descrito pela JAXA como a primeira instalação tripulada de experimentos do país e o maior módulo de experimentos da ISS. É composto por um módulo pressurizado, de 11,2 metros de comprimento e 4,4 metros de diâmetro, onde astronautas trabalham sem trajes espaciais, e por uma plataforma exposta ao vácuo. O módulo pressurizado foi montado em junho de 2008, e a plataforma exposta, em julho de 2009.

A linha do tempo da agência registra também a atuação de astronautas japoneses: Wakata concluiu em julho de 2009 a primeira missão de longa duração de um japonês na ISS e, em março de 2014, tornou-se o primeiro comandante asiático da estação. O veículo de carga KOUNOTORI (HTV) transporta até seis toneladas de suprimentos à estação, segundo a JAXA, que cita nove missões bem-sucedidas dessa série.

Entre 2005 e 2016, a JAXA registrou uma sequência de lançamentos científicos e de aplicações. Podem ser citados o satélite lunar Kaguya, lançado em setembro de 2007; a sonda Akatsuki, lançada em maio de 2010 e inserida na órbita de Vênus em dezembro de 2015; e o observatório de raios X Hitomi, lançado em fevereiro de 2016.

SLIM: pouso de precisão na Lua

A sonda SLIM (Smart Lander for Investigating Moon) pousou na Lua em 20 de janeiro de 2024. O objetivo principal era demonstrar tecnologia de pouso de precisão, com margem de erro de até 100 metros. Segundo o balanço divulgado pela JAXA em 25 de janeiro, a sonda ficou a cerca de 55 metros a leste do alvo, e a precisão foi estimada em poucos metros, o que a agência classificou como pouso de precisão comprovado.

O pouso não foi perfeito. Pouco depois do toque, a SLIM não conseguiu gerar energia solar por causa de uma orientação inesperada, e a análise apontou que um dos dois motores principais provavelmente falhou a 50 metros de altitude, durante a manobra de desvio de obstáculos, fazendo a nave derivar para leste. O controle em solo desligou a nave às 2h57 no horário do Japão. Antes disso, a sonda transmitiu dados de navegação, registrou imagens da descida e da superfície e liberou duas pequenas sondas, LEV-1 e LEV-2.

O episódio mostra o equilíbrio típico das missões tecnológicas: o objetivo central foi atingido, ainda que com limitações operacionais posteriores. A agência informou, na ocasião, que tentaria recuperar a comunicação quando as condições de luz mudassem.

Números e limites das informações

Este perfil não traz orçamento nem número de funcionários, porque as páginas oficiais consultadas não trazem esses valores com ano de referência. Também evita afirmações sobre voos posteriores a 2024 que não foram confirmadas em página específica da agência.

Para acompanhar missões em andamento, como o H3 e a operação de cargueiros para a ISS, o site global da JAXA mantém comunicados de imprensa datados e páginas de projeto, e é a fonte que prevalece sempre que houver divergência com textos de terceiros.

Fontes consultadas

  1. JAXA History — JAXAFonte oficial
  2. Field Centers — JAXAFonte oficial
  3. H-IIA Launch Vehicle — JAXAFonte oficial
  4. Asteroid Explorer Hayabusa2 — JAXAFonte oficial
  5. International Space Station (ISS) and Japanese Experiment Module Kibo — JAXAFonte oficial
  6. Outcome for the Smart Lander for Investigating Moon (SLIM)'s Moon Landing — JAXAFonte oficial

Fontes conferidas em 29 de setembro de 2026. Encontrou um erro? Escreva para [email protected] ou consulte a página de correções.

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