Um planeta frio e seco, com um passado diferente
Marte é o quarto planeta a partir do Sol e o mais estudado por espaçonaves depois da Terra e da Lua. Segundo a NASA, seu raio é de 3.390 quilômetros, aproximadamente metade do terrestre, e ele orbita a uma distância média de cerca de 228 milhões de quilômetros do Sol, o que equivale a 1,5 unidade astronômica. A luz solar leva cerca de 13 minutos para chegar até lá.
O dia marciano, chamado de sol, dura 24,6 horas, muito parecido com o nosso, e o ano tem 687 dias terrestres. A inclinação do eixo é de cerca de 25 graus, próxima dos 23,4 graus da Terra, o que explica a existência de estações do ano. As temperaturas variam de cerca de 20 graus Celsius no máximo a menos 153 graus Celsius no mínimo, de acordo com a agência.
A atmosfera é composta principalmente de dióxido de carbono, nitrogênio e argônio, com poeira em suspensão que dá ao céu um tom avermelhado. O planeta tem duas luas pequenas, Fobos e Deimos, descritas pela NASA como asteroides capturados e de formato de batata.
Paisagens extremas
A geografia de Marte guarda alguns dos maiores acidentes do Sistema Solar. O vulcão Olympus Mons tem mais de 25 milhas de altura da base ao topo, ou seja, mais de 40 quilômetros, segundo a NASA. O sistema de cânions Valles Marineris se estende por cerca de 2.400 milhas, algo como 3.900 quilômetros.
Esses acidentes chamam atenção pelo tamanho, mas a característica que mais interessa aos cientistas é outra: as missões da NASA encontraram evidências de que Marte já foi muito mais úmido e mais quente, com atmosfera mais espessa, bilhões de anos atrás. É essa história que orienta a maior parte das missões atuais.
As primeiras conquistas: Viking
O primeiro pouso realmente bem-sucedido em Marte foi o da Viking 1. A missão foi lançada em 20 de agosto de 1975 e pousou em 20 de julho de 1976. Segundo a NASA, o módulo de pouso funcionou até 11 de novembro de 1982, cerca de seis anos e quatro meses, enquanto o orbitador operou até 7 de agosto de 1980.
Os dois orbitadores do programa Viking devolveram 52.663 imagens e mapearam cerca de 97% da superfície, e os módulos de pouso enviaram cerca de 4.500 fotografias dos locais onde estavam. Os instrumentos mediram temperaturas e detectaram grande quantidade de enxofre no solo. Os experimentos biológicos não encontraram compostos orgânicos, embora, como registra a NASA, alguns resultados pudessem ter sido interpretados como indício de vida. A questão não foi resolvida naquela época.
O programa mostrou que operações prolongadas na superfície marciana eram viáveis, e a agência o descreve como a base de toda a exploração posterior do planeta.
Orbitadores e veículos itinerantes
A Europa também tem presença duradoura em Marte. A sonda Mars Express, da ESA, foi lançada em 2 de junho de 2003 e chegou ao planeta em dezembro do mesmo ano. Segundo a agência, ela mapeou a composição química da atmosfera, estudou a lua Fobos e reuniu dados que mostram que Marte teve condições ambientais possivelmente adequadas à vida. A ESA a apresenta como missão em operação há mais de duas décadas.
Em 6 de agosto de 2012, o veículo Curiosity pousou na cratera Gale, depois de ter sido lançado em 26 de novembro de 2011. O objetivo declarado pela NASA era determinar se Marte já foi capaz de sustentar vida microbiana. Logo no início, seus instrumentos encontraram evidências químicas e minerais de ambientes habitáveis no passado. A página da missão informa que ele segue ativo e que, em agosto de 2026, alcançou 1 quilômetro de ganho de elevação na subida do Monte Sharp, dentro de Gale, após 14 anos de operação.
O Perseverance foi lançado em 30 de julho de 2020 e pousou em 18 de fevereiro de 2021 na cratera Jezero. Ele levou o helicóptero Ingenuity, que a NASA descreve como a primeira aeronave a realizar voo controlado e motorizado em outro planeta, com 72 voos ao todo. Segundo a agência, até outubro de 2024 o veículo tinha coletado 24 amostras de rocha e de regolito, além de uma amostra de ar.
O que Marte ensina
Marte importa porque é o planeta onde melhor se pode investigar como um mundo rochoso pode mudar de úmido para seco. As evidências de água no passado, registradas por várias missões, permitem comparar o destino de Marte com o da Terra e ajudam a definir onde procurar sinais de vida antiga.
Em setembro de 2025, segundo a NASA, um estudo revisado por pares publicado na revista Nature indicou que uma amostra apelidada de Cheyava Falls contém possíveis biossinais, isto é, pistas que sugerem que pode ter existido vida no passado. A própria agência trata o resultado como indício, e não como confirmação de vida. Ele foi descrito por autoridades como o mais próximo já obtido de evidências de vida marciana, mas ainda depende de estudos adicionais.
O que ainda não está confirmado
Não há confirmação de vida, passada ou presente, em Marte. As interpretações dos experimentos das Viking e dos possíveis biossinais do Perseverance seguem sendo discutidas pela comunidade científica.
Também não foram incluídos aqui planos de missões futuras, porque nenhuma data foi confirmada em fonte oficial aberta para este texto. Para ver cada missão com mais detalhe, consulte os eventos relacionados na linha do tempo do site.
Fontes consultadas
- Mars Facts — NASA ScienceFonte oficial
- Viking 1 — NASA ScienceFonte oficial
- Mars Science Laboratory: Curiosity Rover — NASA ScienceFonte oficial
- Mars 2020: Perseverance Rover — NASA ScienceFonte oficial
- Mars Express — ESAFonte oficial
Fontes conferidas em 29 de setembro de 2026. Encontrou um erro? Escreva para [email protected] ou consulte a página de correções.




