Objetivo
Fornecer imagens de sensoriamento remoto para monitorar o desmatamento, sobretudo na Amazônia, e a agricultura, além de validar a Plataforma Multimissão (PMM) desenvolvida pelo INPE.
Resultado
O PSLV-C51 colocou o Amazonia-1 na órbita prevista. Após testes de comissionamento, o satélite foi declarado operacional e suas imagens passaram a ser oferecidas ao público pelo INPE.
Contexto: de satélites em parceria a um projeto nacional
Antes do Amazonia-1, os satélites brasileiros de sensoriamento remoto haviam sido desenvolvidos em cooperação internacional. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) lembra que a Missão Amazônia vai consolidar o conhecimento do país no desenvolvimento integral de uma missão com satélites estabilizados em três eixos, ao contrário dos anteriores, criados com outros países. É o caso da série CBERS, feita com a China desde o acordo de 1988.
A revista Pesquisa FAPESP descreve o Amazonia-1 como o coroamento de uma trajetória iniciada no século passado, cuja origem está na Missão Espacial Completa Brasileira, aprovada em 1979. A publicação lembra que o INPE, no fim dos anos 1980, adotou uma política industrial que criou uma base de fornecedores no setor de satélites.
O satélite integra a chamada Missão Amazônia, que previa três satélites de sensoriamento remoto, Amazonia-1, Amazonia-1B e Amazonia-2. O objetivo era fornecer dados para observar e monitorar o desmatamento, em especial na Amazônia, e acompanhar a agricultura em todo o território nacional, com alta taxa de revisita e em sinergia com os programas ambientais existentes.
O satélite e a Plataforma Multimissão
O MCTI informa que o Amazonia-1 tem seis quilômetros de fios e 14 mil conexões elétricas. Os satélites da série são formados por dois módulos independentes: o Módulo de Serviço, que é a Plataforma Multimissão (PMM), e o Módulo de Carga Útil, que abriga as câmeras imageadoras e os equipamentos de gravação e transmissão de dados.
A PMM é uma plataforma genérica para satélites da classe de 500 quilos. Com massa de 250 quilos, segundo o ministério, ela provê recursos para o funcionamento em órbita de diferentes cargas úteis, de cerca de 280 quilos. O conceito reúne em uma única plataforma as funções necessárias à sobrevivência de um satélite, como apontamento, geração de energia, controle térmico, gerenciamento de dados e telecomunicação de serviço.
A vantagem apontada é a redução de custos e prazos em novas missões que usem a mesma base, já que, depois de desenvolvida e qualificada a primeira plataforma, sua reprodução dispensa etapas longas e dispendiosas. Por isso, além do objetivo ambiental, o MCTI destaca um objetivo tecnológico: validar a PMM como sistema, usada pela primeira vez no Amazonia-1. As atividades de montagem, integração e testes foram realizadas no Laboratório de Integração e Testes do INPE, em São José dos Campos.
A câmera e a órbita
O satélite leva um imageador óptico de visada larga, uma câmera com três bandas no espectro visível e uma no infravermelho próximo, capaz de observar uma faixa de cerca de 850 quilômetros de largura com resolução de 64 metros. A órbita é heliossíncrona, ou seja, polar, e foi projetada para uma taxa de revisita de cinco dias. Sob demanda, o satélite pode fornecer dados de um ponto específico em dois dias.
Segundo o MCTI, essa característica é valiosa em aplicações como o alerta de desmatamento na Amazônia, porque aumenta a probabilidade de captar imagens úteis diante da cobertura de nuvens na região. A dinâmica orbital foi calculada para que o satélite cruze a linha do Equador sempre entre 10h15 e 10h45, no horário local, até o fim de sua vida útil de projeto, de quatro anos.
Isso garante condições de iluminação semelhantes na superfície ao longo do ano, o que facilita comparar imagens obtidas dos mesmos locais em datas diferentes, algo desejável em diversas aplicações de sensoriamento remoto. O ministério cita ainda usos como monitoramento da região costeira, de reservatórios de água, de florestas naturais e cultivadas e de desastres ambientais.
O lançamento pelo PSLV-C51
A ISRO informa que o PSLV-C51 decolou da primeira plataforma de lançamento do Centro Espacial Satish Dhawan, em Sriharikota, às 10h24 no horário da Índia, em 28 de fevereiro de 2021, como planejado. O MCTI informou de antemão que esse horário correspondia a 1h54 em Brasília, o que equivale a 4h54 em UTC. Após um voo de cerca de 17 minutos e 23 segundos, o veículo injetou o Amazonia-1 na órbita pretendida.
Na hora e trinta e oito minutos seguintes, os 18 satélites secundários se separaram do foguete em sequência predeterminada. A agência indiana registra que o PSLV-C51 foi a primeira missão comercial dedicada da NewSpace India Limited, a 53ª missão do PSLV e a terceira na configuração DL, com dois propulsores auxiliares. Também foi a 78ª missão de um veículo lançador a partir de Sriharikota.
Entre os passageiros havia quatro satélites do IN-SPACe, três deles construídos por instituições de ensino indianas, e catorze da NSIL, um da Índia e treze dos Estados Unidos, conforme a ISRO. Com o lançamento, a agência indiana somava 342 satélites de clientes estrangeiros colocados em órbita pelo PSLV, de 34 países.
Comissionamento e acesso público às imagens
Depois do lançamento, o satélite passou por testes de comissionamento. Em uma notícia de julho de 2021, o MCTI informou que o Amazonia-1 foi declarado operacional e que suas imagens estavam à disposição do público, por meio do site do INPE e de um catálogo de imagens de todo o país, que conta com manual de uso.
Na mesma notícia, o ministério registra que o Amazonia-1 era o terceiro satélite brasileiro de sensoriamento remoto em operação, junto ao CBERS-4 e ao CBERS-4A. Isso mostra a continuidade entre as gerações de satélites: o novo satélite passou a integrar a mesma frota de observação da Terra do INPE.
O INPE já distribuía gratuitamente imagens do CBERS na internet desde 2004, conforme a linha do tempo do instituto sobre o programa.
Limites e divergências entre fontes
Há uma divergência que merece registro. Duas páginas do MCTI, uma de 2021 sobre o lançamento e outra sobre a abertura das imagens, trazem a data de 28 de janeiro de 2021, enquanto a ISRO e a página do mesmo ministério com o horário do lançamento indicam 28 de fevereiro. Este texto adota 28 de fevereiro, data da agência que operou o foguete, e trata a outra como erro de digitação.
Não foram confirmados, nas fontes consultadas, o estado atual do satélite, o cronograma de lançamento do Amazonia-1B e do Amazonia-2, nem números de imagens distribuídas. Por isso essas informações foram omitidas. O leitor deve consultar as páginas atualizadas do INPE para acompanhar a operação e os próximos satélites da série.
Fontes consultadas
- Satélite Amazonia 1 é lançado na Índia — Ministério da Ciência, Tecnologia e InovaçãoFonte oficial
- INPE/MCTI divulga horário do lançamento do Amazônia-1 — Ministério da Ciência, Tecnologia e InovaçãoFonte oficial
- Imagens do satélite Amazonia-1 estão disponíveis para o público — Ministério da Ciência, Tecnologia e InovaçãoFonte oficial
- PSLV-C51/Amazonia-1 — Indian Space Research Organisation (ISRO)Fonte oficial
- Instituto se destaca pelo pioneirismo — Revista Pesquisa FAPESPComplementar
Fontes conferidas em 29 de setembro de 2026. Encontrou um erro? Escreva para [email protected] ou consulte a página de correções.