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9 de fevereiro de 1993 · Órbita da Terra

SCD-1: o primeiro satélite totalmente brasileiro

Em 9 de fevereiro de 1993, o SCD-1, de 115 kg, foi lançado por um foguete Pegasus e se tornou o primeiro satélite projetado, construído e operado no Brasil, coletando dados ambientais.

Leitura de 4 min · INPE · Outras

Objetivo

Colocar em órbita o primeiro satélite de coleta de dados do INPE, para retransmitir informações de plataformas ambientais espalhadas pelo território nacional.

Resultado

O SCD-1 foi colocado em órbita a 750 km de altitude e teve seus primeiros sinais captados pela estação de Alcântara. Projetado para um ano de vida, seguia em operação dez anos depois, segundo o INPE.

Contexto: o primeiro satélite da MECB

O SCD-1 foi o primeiro produto concreto da Missão Espacial Completa Brasileira, aprovada em 1979. Dos quatro satélites previstos, dois seriam de coleta de dados e dois de sensoriamento remoto, e o INPE assumiu a responsabilidade por todos eles. O SCD-1, segundo o próprio instituto, foi o primeiro projeto de satélite do INPE.

O objetivo da série era criar um sistema brasileiro de coleta de dados ambientais. A ideia era simples de descrever e difícil de executar: espalhar pelo território estações automáticas que medissem parâmetros como nível de rios e represas, chuva, pressão atmosférica, radiação solar e temperatura, e usar um satélite de órbita baixa para recolher e retransmitir essas leituras a uma central.

Para chegar a esse ponto, o INPE investiu em laboratórios e formação de pessoal. O Laboratório de Integração e Testes (LIT), em São José dos Campos, foi projetado para a missão, e foi nele que o SCD-1 foi integrado e testado. O satélite tinha 115 quilos, foi totalmente projetado, desenvolvido e integrado pelo INPE e contou com participação importante da indústria nacional.

A campanha de lançamento

O histórico publicado pelo INPE narra a campanha em detalhe. Em 14 de novembro de 1992, em São José dos Campos, começou a preparação: o satélite foi acondicionado em um contêiner à prova de umidade e de impactos e levado aos Estados Unidos em um avião da Força Aérea Brasileira. Dois dias depois, chegou à base de Edwards, na Califórnia, onde foram feitos testes de simulação de lançamento com o satélite acoplado à ogiva do foguete.

O foguete escolhido foi o Pegasus, desenvolvido pela Orbital Sciences Corporation, que é lançado do ar. Em 7 de fevereiro de 1993, o Pegasus com o SCD-1 na ogiva atravessou os Estados Unidos sob a asa de um B-52 da NASA e chegou ao Centro Espacial Kennedy, na Flórida. O INPE lembra que, antes do lançamento, houve uma espera de quase três meses.

A operação foi comandada do centro de controle de Wallops, na Virgínia, enquanto engenheiros brasileiros acompanhavam o voo a partir do Centro de Rastreio e Controle do INPE, com operações em São José dos Campos, Cuiabá e Alcântara. A imagem do satélite sendo montado no Pegasus, que ilustra este artigo, é do arquivo do INPE e mostra a etapa de dezembro de 1992.

9 de fevereiro de 1993: o voo

De acordo com o INPE, na manhã de 9 de fevereiro de 1993 o B-52 decolou do Centro Espacial Kennedy às 10h15, horário de Brasília, levando o Pegasus. Uma hora e quinze minutos depois, a 83 quilômetros da costa da Flórida e a 13 quilômetros de altitude, o foguete foi liberado da asa do avião. Como previsto, caiu em queda livre por cerca de cinco segundos antes de acionar os motores em direção ao espaço.

Poucos minutos depois, às 11h41, horário de Brasília, o SCD-1 foi colocado em órbita a 750 quilômetros de altitude. Tudo transcorreu conforme o planejado, segundo o instituto. A satisfação foi maior quando, logo após a entrada em órbita, os primeiros sinais do satélite foram captados pela estação terrena de Alcântara, no Maranhão.

Vale registrar que o texto do INPE usa o horário de Brasília e que a fonte não informa o horário em UTC. Fontes secundárias divulgam horários diferentes para o voo, e por isso este texto adota apenas os valores publicados pelo próprio instituto.

A missão: coletar dados ambientais do país inteiro

O início da operação do SCD-1 marcou também o início do Sistema Brasileiro de Coleta de Dados, uma rede de satélites de órbita baixa que retransmitem a um centro de missão os dados recebidos de um grande número de plataformas. Os dados são distribuídos a instituições no Brasil e no exterior. O satélite capta os sinais das plataformas e os retransmite à estação de Cuiabá, de onde seguem para Cachoeira Paulista.

Segundo o INPE, o SCD-1 voava a cerca de 27 mil quilômetros por hora e levava aproximadamente 1 hora e 40 minutos para completar uma volta em torno da Terra. Em 2003, o sistema contava com mais de 500 plataformas e mais de 80 empresas e instituições usuárias, e os dados eram fundamentais em aplicações como previsão diária do tempo, previsão de clima e monitoramento do nível de rios e represas.

A operação era supervisionada pelo Centro de Controle de Satélites do INPE, em São José dos Campos, que monitora o satélite, reconfigura seus instrumentos e executa manobras de atitude, com comandos enviados pelas estações de Cuiabá e Alcântara. As estações também medem a órbita atual do satélite.

Um satélite que superou a vida útil de projeto

O SCD-1 foi projetado para durar um ano. Em fevereiro de 2003, dez anos depois, o INPE informava que ele continuava em operação, o que o instituto apresentou como tributo à competência da engenharia espacial brasileira. Em 1998, o SCD-2 se juntou ao sistema, e o CBERS-1, lançado em 1999, também passou a integrá-lo.

As fontes consultadas para esta redação documentam a operação do satélite até 2003. Situações posteriores, como o tempo total de funcionamento, recordes de longevidade e eventual desativação, não foram confirmadas em páginas oficiais abertas e por isso não são afirmadas aqui.

O INPE define o lançamento do SCD-1 como a entrada definitiva do Brasil nos domínios da tecnologia espacial e como a concretização de um antigo sonho, que abriu caminho para novas possibilidades de intercâmbio e colaboração com outros países. A revista Pesquisa FAPESP também situa o satélite entre os frutos da MECB.

Fontes consultadas

  1. 1º Satélite de Coleta de Dados - SCD-1: Histórico — Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)Fonte oficial
  2. CBERS - Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (linha do tempo) — Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)Fonte oficial
  3. História — Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)Fonte oficial
  4. Instituto se destaca pelo pioneirismo — Revista Pesquisa FAPESPComplementar

Fontes conferidas em 29 de setembro de 2026. Encontrou um erro? Escreva para [email protected] ou consulte a página de correções.

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