
Objetivo
Validar, com astronautas a bordo, o sistema de transporte de tripulações da SpaceX para o Programa de Tripulação Comercial da NASA, do lançamento ao retorno à Terra.
Resultado
A missão levou dois astronautas da NASA à estação, manteve-os em órbita por 64 dias e os trouxe de volta com amerrissagem no Golfo do México em 2 de agosto de 2020, abrindo caminho para os voos operacionais.
Contexto
Desde o fim do programa do ônibus espacial, em 2011, os Estados Unidos não tinham um veículo próprio para levar astronautas à órbita. Durante quase uma década, os astronautas americanos chegaram à Estação Espacial Internacional em espaçonaves russas. A missão Demo-2 encerrou esse intervalo: foi a primeira vez, desde então, que astronautas americanos partiram do solo dos Estados Unidos a bordo de um foguete americano.
O voo fez parte do Programa de Tripulação Comercial da NASA, no qual a agência passou a comprar o transporte de astronautas de empresas que constroem e operam seus próprios veículos, em vez de ser dona e operadora das naves. A Demo-2 era o teste de voo com pessoas a bordo do sistema da SpaceX, formado pelo foguete Falcon 9 e pela cápsula Crew Dragon. Segundo a NASA, o objetivo era validar todas as etapas do sistema de transporte, da decolagem ao retorno.
Os astronautas e a cápsula
A tripulação tinha dois integrantes, ambos astronautas da NASA: Robert Behnken e Douglas Hurley. Os dois integraram o treinamento e os ensaios que precederam o voo, registrados em galerias de fotos no arquivo da missão. A cápsula recebeu o nome Endeavour, dado pelos próprios astronautas, segundo a NASA.
A NASA e a SpaceX dividiram as responsabilidades. A empresa construiu e operou o foguete e a cápsula, enquanto a agência acompanhou a preparação, revisou a prontidão do voo e definiu os critérios para a partida e o retorno. Em documentos técnicos publicados no arquivo da missão, a NASA detalha, por exemplo, o cronograma de lançamento e os critérios de clima exigidos para a amerrissagem.
O lançamento e a acoplagem
O Falcon 9 decolou em 30 de maio de 2020, às 15h22 no horário de Verão do Leste dos EUA (EDT), do Complexo de Lançamento 39A, no Centro Espacial Kennedy, na Flórida. Foi a primeira decolagem tripulada tanto do Falcon 9 quanto da Crew Dragon. A NASA divulgou o horário em EDT, e é esse o fuso adotado neste texto.
No dia seguinte, 31 de maio, a cápsula chegou à estação. A acoplagem ocorreu às 10h16 EDT, no módulo Harmony, quando o complexo orbital sobrevoava, a cerca de 262 milhas de altitude, a fronteira norte entre a China e a Mongólia. A captura firme foi concluída às 10h27.
A tripulação da Expedição 63 recebeu os visitantes: o comandante Chris Cassidy, da NASA, e os cosmonautas russos Anatoly Ivanishin e Ivan Vagner. A abertura da escotilha estava prevista para cerca das 12h45, depois das verificações de vazamento e da pressurização padrão. Com a chegada de Behnken e Hurley, a estação passou a abrigar cinco pessoas.
Os dias na estação
Em órbita, Behnken e Hurley integraram-se ao trabalho da Expedição 63. Segundo a NASA, os dois dedicaram mais de cem horas ao apoio das investigações científicas a bordo. Entre os estudos citados pela agência estão os de formação de gotículas, estruturas capilares, medições de eletrólise e observações da Terra feitas pela tripulação.
Behnken também fez quatro caminhadas espaciais durante a permanência, nas quais participou de trabalhos de atualização de canais de energia da estação e da instalação de equipamentos, conforme o balanço da NASA. A cápsula Endeavour permaneceu acoplada ao Harmony durante esse período, o que também permitiu avaliar seu comportamento em voo prolongado.
O retorno à Terra
A Endeavour deixou a estação em 1º de agosto de 2020 e amerrissou no dia 2, às 14h48 EDT, no Golfo do México, ao largo da costa da Flórida. Foi o retorno de uma espaçonave americana tripulada, construída e operada por uma empresa privada, vinda da estação. A NASA registra que a missão somou 1.024 órbitas e 27.147.284 milhas percorridas, o equivalente a cerca de 43,7 milhões de quilômetros, e 64 dias no espaço.
A NASA havia descrito o roteiro previsto para a volta. Após a separação da estação, a cápsula faria uma série de acendimentos de motores, descartaria o módulo de carga traseiro e executaria a queima de saída de órbita. Na reentrada, a NASA previa velocidade de cerca de 17.500 milhas por hora, temperatura máxima próxima de 3.500 graus Fahrenheit e um apagão de comunicações de cerca de seis minutos.
Dois paraquedas de estabilização abririam a cerca de 18 mil pés e quatro paraquedas principais, a cerca de 6 mil pés. A equipe da SpaceX, em dois navios de apoio, retiraria os astronautas da cápsula; a NASA estimava que esse processo levaria de 45 a 60 minutos. O navio usado na recuperação foi o Go Navigator, e a cápsula foi levada depois às instalações da SpaceX na Flórida para processamento.
Resultados e legado
Depois da amerrissagem, a NASA e a SpaceX passaram a examinar os dados do voo para que a agência pudesse certificar o sistema para missões regulares. A NASA informou que essa revisão levaria cerca de seis semanas e que a missão seguinte, a Crew-1, estava planejada para mais tarde em 2020. Ou seja, a Demo-2 serviu de base para os voos operacionais, e não como um fim em si mesma.
Na chegada dos astronautas a Houston, dirigentes da agência os receberam em cerimônia no Campo Ellington. A legenda de uma fotografia oficial da NASA resume o marco: foi o primeiro lançamento e pouso de astronautas americanos em uma espaçonave construída e operada comercialmente.
O voo também consolidou um modelo em que a agência atua como cliente de serviços de transporte. Ao anunciar o pouso, a NASA afirmou, em tradução livre, que as parcerias são essenciais para ir mais longe e dar os próximos passos em missões ousadas rumo à Lua e a Marte.
Limites e o que os documentos não detalham
Os textos oficiais consultados descrevem a operação, mas não trazem uma avaliação técnica completa de cada sistema da cápsula. Detalhes de desempenho, anomalias menores e conclusões da revisão pós-voo estão em relatórios que não foram lidos para este artigo, e por isso não são discutidos aqui.
Também vale notar diferenças entre o planejado e o executado. Um comunicado da NASA sobre a acoplagem mencionava um pouso com paraquedas no oceano Atlântico, enquanto a amerrissagem de fato ocorreu no Golfo do México. A própria agência havia listado, antes do retorno, sete locais possíveis ao largo da Flórida, e a escolha dependia das condições no momento.
Os números de duração também dependem do critério: a NASA fala em 64 dias no espaço para a missão completa, e o tempo de permanência acoplado à estação é menor. Para aprofundar, o arquivo de recursos da missão no site da NASA reúne apresentações, vídeos e documentos técnicos.
Fontes consultadas
- SpaceX Demo 2 Mission Launches into History — NASAFonte oficial
- Crew Dragon Docks to Space Station — NASAFonte oficial
- NASA Astronauts Safely Splash Down after First Commercial Crew Flight to Space Station — NASAFonte oficial
- Top 10 Things to Know for NASA's SpaceX Demo-2 Return — NASAFonte oficial
- NASA's SpaceX Demo-2 Resources Archive — NASAFonte oficial
- NASA Leaders Greet Behnken, Hurley After Splashdown — NASAFonte oficial
Fontes conferidas em 29 de setembro de 2026. Encontrou um erro? Escreva para [email protected] ou consulte a página de correções.


