
Objetivo
Criar uma estação espacial modular, herdeira das Salyut, capaz de ser ampliada com novos módulos e de manter tripulações em órbita por longos períodos.
Resultado
A Mir foi expandida com cinco módulos, teve ocupação humana por cerca de 13 anos e recebeu visitantes de vários países, inclusive americanos no programa Shuttle-Mir. Foi retirada de órbita de forma controlada em 23 de março de 2001.
Contexto
A Mir nasceu da experiência acumulada pela União Soviética com as estações Salyut. O site especializado RussianSpaceWeb, que é uma fonte complementar, descreve o módulo básico como descendente direto da Salyut 6 e da Salyut 7, e informa que o trabalho de desenvolvimento começou em 1976 e envolveu 280 organizações e 20 ministérios soviéticos. A ideia central era uma estação modular: um núcleo com portas de acoplagem, ao qual novos módulos poderiam ser acrescentados ao longo dos anos.
O módulo básico foi lançado por um foguete Proton a partir do Cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão. A NASA registra a data de 19 de fevereiro de 1986; a ESA e o RussianSpaceWeb indicam 20 de fevereiro. As fontes não explicam a diferença, e este texto adota a data da NASA, mencionando a divergência. A NASA afirma que o módulo alcançou a órbita em cerca de nove minutos e tinha inicialmente 45.000 libras de massa.
O módulo básico e os primeiros passos
Segundo a ESA, o módulo básico tinha cerca de 13 metros de comprimento e 4 metros de diâmetro. O RussianSpaceWeb descreve quatro compartimentos, entre eles um compartimento de transferência na frente, o compartimento principal de trabalho, uma câmara de transferência com porta de acoplagem traseira e um compartimento não pressurizado com equipamentos. A parte frontal esférica tinha uma porta axial e quatro portas laterais para a fixação permanente de novos módulos.
A primeira tripulação foi a da Soyuz T-15, formada por Leonid D. Kizim e Vladimir A. Solovev, lançada em 13 de março de 1986 e acoplada à estação em 15 de março, segundo a NASA. A missão durou 125 dias no total. Nesse período, os dois cosmonautas fizeram uma transferência inédita entre estações: partiram na Soyuz T-15 para a Salyut 7, que estava a milhares de quilômetros de distância na mesma faixa orbital, permaneceram lá por 50 dias, fizeram duas caminhadas espaciais e voltaram à Mir em 26 de junho com cerca de 880 libras de equipamentos, entre os quais uma guitarra. O pouso ocorreu em 16 de julho de 1986.
A expansão modular
A estação cresceu com cinco módulos. A ESA registra Kvant 1 em março de 1987 (uma das páginas da NASA cita novembro de 1989 também para esse módulo, o que diverge das demais fontes e não é adotado aqui), Kvant 2 em novembro de 1989, Kristall em maio de 1990, Spektr em maio de 1995 e Priroda em abril de 1996. Segundo a NASA, parte do equipamento de pesquisa americano foi instalado no Spektr, e o módulo Priroda também recebeu equipamentos dos Estados Unidos quando o programa Shuttle-Mir foi ampliado.
O crescimento do complexo ao longo dos anos é evidenciado pelos números da NASA: a massa passou de 45.000 libras, no início, para 285.900 libras na configuração final, e o volume habitável cresceu de 3.200 para 12.400 pés cúbicos, o que a agência descreve como a maior espaçonave em órbita na época. A ESA estima que a massa em órbita ficava entre 130 e 140 toneladas e que as dimensões gerais eram de cerca de 33 por 31 por 27,5 metros.
Ocupação, recordes e cooperação internacional
A NASA informa que a Mir teve 13 anos de ocupação contínua. A última tripulação residente, formada por Sergei V. Zalyotin e Aleksandr Y. Kaleri, deixou a estação em 16 de junho de 2000. A agência americana também destaca que os três voos espaciais mais longos do período aconteceram na Mir, com 326, 366 e 438 dias, e que o último desses recordes se mantém até hoje.
O número de visitantes varia conforme a fonte. Uma página da NASA menciona 104 cosmonautas e astronautas de 13 países ou agências, outra fala em 125 pessoas de 12 países, e a ESA registra 105 cosmonautas, incluindo 82 não russos de 11 nacionalidades, entre 1988 e 1999. As diferenças podem refletir critérios de contagem distintos, mas isso não é explicado nas fontes, e por isso o texto apresenta apenas a faixa aproximada de 104 a 125.
Entre os europeus, a ESA cita Jean-Loup Chrétien (França), Helen Sharman (Reino Unido), Klaus-Dietrich Flade (Alemanha), Thomas Reiter (Alemanha) e Jean-Pierre Haigneré (França). Em setembro de 1995, o alemão Thomas Reiter, astronauta da ESA, chegou à Mir na missão Euromir 95, a bordo da Soyuz TM-22, e o acoplamento no porto dianteiro da estação foi registrado às 12h30 no horário da Europa Central. Segundo a ESA, essas missões serviram de preparação para a participação europeia na Estação Espacial Internacional.
O programa Shuttle-Mir
De 1994 a 1998, a Mir recebeu o programa Shuttle-Mir, a fase 1 da cooperação entre Estados Unidos e Rússia que antecedeu a Estação Espacial Internacional. A NASA informa que sete astronautas americanos passaram quase mil dias em órbita com cosmonautas russos e que nove missões do ônibus espacial se acoplaram à estação. Outra página da agência fala em dez missões de encontro, incluindo as duas primeiras, STS-60 e STS-63, em que não houve acoplagem, e lista as demais: STS-71, primeira acoplagem, STS-74, STS-76, STS-79, STS-81, STS-84, STS-86 e STS-91.
Entre os resultados citados pela NASA estão a primeira atividade extraveicular conjunta entre americanos e russos e o primeiro ciclo completo de vida de plantas no espaço. A cooperação surgiu de acordos bilaterais assinados em 1992 e foi a primeira empreitada tripulada conjunta entre os dois países desde o Projeto de Teste Apollo-Soyuz. A NASA afirma ainda que 42 pessoas que visitaram a Mir voaram depois na Estação Espacial Internacional.
O fim da estação
A retirada da Mir de órbita ocorreu em 23 de março de 2001. Segundo a ESA, a manobra usou uma nave de carga Progress para posicionar a estação em um ângulo específico, de cerca de 1 grau, de modo a maximizar a queima na atmosfera e limitar a área de dispersão dos destroços. A agência europeia observa que a estrutura é feita principalmente de alumínio e estruturas leves e que não havia fontes de energia nuclear a bordo. A NASA informa que os fragmentos caíram no Pacífico Sul, a leste da Nova Zelândia.
Ao todo, a estação completou 86.331 órbitas e percorreu cerca de 2,2 bilhões de milhas, segundo a NASA. A ESA a define como a estação espacial mais duradoura e elaborada até então. O que permanece incerto nas fontes abertas é o número exato de visitantes e a data exata de lançamento, questões de contagem e de fuso que ainda aparecem de maneira diferente em cada documento.
Fontes consultadas
- 20 Years Ago: Space Station Mir Reenters Earth's Atmosphere — NASAFonte oficial
- 35 Years Ago: Launch of Mir Space Station's First Module — NASAFonte oficial
- Shuttle-Mir — NASAFonte oficial
- Mir FAQs - Facts and history — ESAFonte oficial
- ESA Astronaut arrives at Mir — ESAFonte oficial
- Mir core module (17KS) — RussianSpaceWebComplementar
Fontes conferidas em 29 de setembro de 2026. Encontrou um erro? Escreva para [email protected] ou consulte a página de correções.


