
Objetivo
Enviar um astronauta da Agência Espacial Brasileira à Estação Espacial Internacional para realizar experimentos científicos, tecnológicos e educacionais, sob contrato comercial com a agência espacial russa.
Resultado
Marcos Pontes chegou à estação, realizou oito experimentos e retornou à Terra em 9 de abril de 2006 na Soyuz TMA-7, com a tripulação da Expedição 12.
Contexto: assentos vagos nas Soyuz e um acordo comercial
Depois do acidente com o ônibus espacial Columbia, em 1º de fevereiro de 2003, as tripulações da Estação Espacial Internacional passaram a viajar e a retornar em cápsulas russas Soyuz. A Soyuz tem três lugares, e em várias missões o terceiro assento foi ocupado por um visitante de curta duração. A NASA reúne os visitantes contratados em uma série histórica de participantes de voos espaciais, na qual o voo brasileiro é o quarto.
Segundo a NASA, o voo de Marcos Pontes resultou de um acordo comercial entre a Agência Espacial Brasileira e a agência espacial federal russa. O astronauta escolhido, Marcos C. Pontes, tinha sido selecionado na turma de astronautas da NASA de 1998 e estava qualificado como especialista de missão do ônibus espacial, conforme a agência norte-americana.
No dossiê de imprensa da Expedição 13, a NASA descreve Pontes como tenente-coronel da Força Aérea Brasileira, de 43 anos. Ele viajaria como astronauta da AEB, e não como integrante regular da tripulação da estação, e realizaria pesquisas em nome da agência brasileira.
O nome: Missão Centenário
A NASA explica que o momento do voo coincidiu com o centenário do primeiro voo de um pioneiro da aviação brasileira, e por isso a AEB batizou a missão de Missão Centenário. A referência é ao 14-Bis, de Alberto Santos-Dumont, que voou em Paris em 1906.
A escolha do nome ligava a história da aviação à do espaço e dava à missão um sentido comemorativo. A NASA reproduz em sua página o emblema da missão, ao lado do emblema da Soyuz TMA-8.
A tripulação e o lançamento
Pontes viajou com a tripulação da Expedição 13: o russo Pavel Vinogradov, comandante da expedição e da Soyuz, e o norte-americano Jeffrey Williams, engenheiro de voo e oficial de ciência. O dossiê da NASA informa que Vinogradov, então com 52 anos, fazia seu segundo voo espacial. Vinogradov e Williams ficariam seis meses na estação; Pontes, apenas alguns dias.
A NASA registra que a Soyuz TMA-8 foi lançada em 30 de março de 2006, do Cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão. O horário previsto no dossiê era 8h30, no horário local de Baikonur, em 30 de março, o que equivale a 20h30 do dia 29 em Houston e, no Brasil, à noite de 29 de março. Essa diferença de fusos explica por que a data aparece de duas formas em fontes distintas.
O voo até a estação durou cerca de dois dias. Segundo o cronograma da NASA, a acoplagem ao módulo Zarya estava prevista para 1º de abril, com a abertura das escotilhas no mesmo dia.
Oito dias a bordo
Na estação, Pontes conduziu oito experimentos de ciência, tecnologia e educação, de acordo com a NASA. O dossiê da agência informa que a passagem por lá durou oito dias de operações acopladas e que a missão completa, contada do lançamento ao pouso, tinha duração de dez dias.
As fotografias divulgadas pela NASA mostram Pontes trabalhando nos módulos Zvezda, russo, e Destiny, norte-americano. Não foram encontrados nas fontes oficiais consultadas os detalhes de cada experimento, como títulos, instituições responsáveis e resultados, e por isso eles não são descritos neste texto.
Durante o período de transição entre as expedições, de 31 de março a 9 de abril, no cronograma da NASA, a tripulação da Expedição 12, William McArthur e Valery Tokarev, passou o comando da estação aos novos ocupantes. Pontes estava no meio desse revezamento.
O retorno
Pontes retornou à Terra em 9 de abril de 2006 na cápsula Soyuz TMA-7, com McArthur e Tokarev, que estavam em órbita desde outubro de 2005, segundo a NASA. O pouso ocorreu nas estepes do Cazaquistão, como previsto no dossiê, que fixava a hora de 5h46, no horário do Cazaquistão, para o toque no solo.
O dossiê da NASA previa que Pontes ocupasse o assento da direita na cápsula e que os tripulantes levassem telefone via satélite e localizador GPS, precaução adotada depois de o pouso de uma expedição anterior ter ocorrido fora do alvo. Depois do pouso, a tripulação seguiria para o Centro de Treinamento de Cosmonautas Gagarin, em Star City, na Rússia. O dossiê observa que a readaptação à gravidade seria mais curta para Pontes do que para os colegas que passaram seis meses em órbita.
Legado e limites do que se sabe
A Missão Centenário fez de Marcos Pontes o primeiro brasileiro no espaço, condição que a NASA registra expressamente. Segundo a NASA, o voo se deu por meio de um contrato comercial entre a AEB e a agência espacial russa.
A sequência histórica registrada pela NASA ajuda a situar o voo. Antes de Pontes, o terceiro participante de voo espacial, o empresário norte-americano Gregory Olsen, havia passado oito dias na estação em outubro de 2005. Depois, a série seguiu com Anousheh Ansari, lançada em 18 de setembro de 2006 na Soyuz TMA-9 e retornada em 29 de setembro na Soyuz TMA-8, a mesma nave que levara Pontes à estação. Vinogradov e Williams voltaram nela ao fim de sua expedição.
Este artigo se baseia em fontes da NASA. As páginas oficiais da AEB e da Roscosmos sobre a missão não puderam ser lidas na íntegra durante a apuração, e por isso a lista de experimentos, o custo do contrato e o papel de instituições brasileiras específicas foram deixados de fora. Também não foram confirmados os horários efetivos, em UTC, do lançamento e do pouso, já que as horas citadas vêm de um dossiê de planejamento.
Fontes consultadas
- Space Station 20th: Space Flight Participants — NASAFonte oficial
- Expedition 13 Press Kit — NASAFonte oficial
- NASA Announces Next International Space Station Crew (Expedition 13 mission brief) — NASAFonte oficial
Fontes conferidas em 29 de setembro de 2026. Encontrou um erro? Escreva para [email protected] ou consulte a página de correções.

