Objetivo
Enviar a primeira mulher ao espaço, em voo coordenado com a Vostok 5, e reunir dados sobre a reação do corpo feminino ao voo espacial.
Resultado
Tereshkova completou 48 órbitas em cerca de três dias, manteve um diário de bordo e realizou testes. Recebeu o título de Heroína da União Soviética e nunca voltou ao espaço.
Contexto
No início dos anos 1960, o programa espacial soviético já havia colocado Yuri Gagarin em órbita e realizado voos de vários dias. O passo seguinte incluía mostrar ao mundo que o país também podia enviar uma mulher ao espaço. Nos Estados Unidos, as mulheres ainda não eram consideradas para o corpo de astronautas, e o voo soviético causou controvérsia por isso, como lembra o Museu Nacional do Ar e do Espaço.
O plano previa um voo em paralelo com a Vostok 5, pilotada por Valery Bykovsky, de modo que duas naves tripuladas estivessem em órbita ao mesmo tempo, com trajetórias parecidas.
A seleção das candidatas
Em 16 de fevereiro de 1962, segundo a ESA, cinco mulheres foram selecionadas entre mais de 400 candidatas para entrar no corpo de cosmonautas: Tatyana Kuznetsova, Irina Solovyova, Zhanna Yorkina, Valentina Ponomaryova e Valentina Tereshkova. A NASA, em seu material educativo, fala em quatro mulheres treinadas no programa, uma diferença de contagem que aparece entre as fontes consultadas.
Tereshkova nasceu em 6 de março de 1937, na região de Yaroslavl, foi a segunda de três filhos e cresceu numa família em que o pai era tratorista e a mãe trabalhava na indústria têxtil. Ela mesma trabalhava numa fábrica têxtil e era paraquedista amadora quando foi recrutada. Diferentemente dos colegas homens, não tinha experiência como piloto, e o Museu Nacional do Ar e do Espaço destaca que sua experiência com paraquedismo foi decisiva para a escolha.
O treinamento
O programa de preparação incluiu voos com ausência de peso, testes de isolamento, ensaios em centrífuga, 120 saltos de paraquedas e formação de pilotagem em aviões a jato, de acordo com a ESA. Quatro candidatas concluíram os exames finais em novembro de 1962 e receberam o posto de tenente da força aérea.
Ao todo, o treinamento durou cerca de um ano até o voo. Irina Solovyova atuou como reserva de Tereshkova na missão.
O voo
A Vostok 6 decolou em 16 de junho de 1963, do cosmódromo de Baikonur, depois de uma contagem de duas horas. Tereshkova tinha 26 anos. O indicativo de chamada dela era Chaika, que significa gaivota em russo. Ela voou simultaneamente com Bykovsky, na Vostok 5, com trajetórias orbitais semelhantes.
A NASA informa que a Vostok 6 completou 48 órbitas em cerca de 70,8 horas. Já a ESA apresenta duas contagens diferentes da duração: 2 dias, 23 horas e 12 minutos, em um artigo, e 2 dias, 22 horas e 50 minutos, na cronologia dos primeiros voos espaciais. Por causa dessa diferença, o mais prudente é dizer que o voo durou cerca de três dias.
Durante a missão, Tereshkova manteve um diário de bordo e realizou testes para reunir dados sobre a reação do corpo ao voo espacial. Segundo a ESA, ela conversou por rádio com o premiê Nikita Khrushchev, e sua imagem foi transmitida por televisão para toda a União Soviética. As fotografias da Terra que tirou foram usadas mais tarde para identificar camadas de aerossóis na atmosfera.
Uma marca de duração
A ESA destaca que o tempo de voo de Tereshkova superou o total somado de todos os astronautas americanos do Projeto Mercury até então. É uma comparação que ajuda a entender a distância entre os programas naquele momento: os voos do Mercury tinham durado horas, enquanto a Vostok 6 permaneceu dias em órbita.
A comparação, porém, não diz tudo sobre a qualidade científica das missões. Os dois programas tinham objetivos e métodos diferentes, e cada um mostrou capacidades próprias.
Depois do voo
Ao final da missão, Tereshkova recebeu o título de Heroína da União Soviética. Não voltou ao espaço. A NASA registra que ela se casou com o cosmonauta Andrian Nikolayev em 3 de novembro de 1963, cerimônia conduzida por Khrushchev, segundo o Museu Nacional do Ar e do Espaço. O casal teve uma filha, Elena, nascida em 1964, descrita pela NASA como a primeira criança nascida de dois pais que haviam estado no espaço. Durante anos, Tereshkova também atuou como porta-voz da União Soviética em aparições internacionais. As fontes divergem sobre o ano do divórcio: 1980, segundo a NASA, e 1982, segundo o Museu Nacional do Ar e do Espaço.
O Museu Nacional do Ar e do Espaço relata que engenheiros soviéticos criticaram o desempenho dela, afirmando que não teria cumprido corretamente todas as tarefas em voo. A NASA acrescenta que ela seguiu treinando com outras candidatas até a década de 1970 e depois assumiu funções políticas e diplomáticas, além de receber a Medalha de Ouro da Paz das Nações Unidas.
O que ainda merece cautela
As fontes consultadas divergem em alguns pontos, como a duração exata do voo, o número de candidatas treinadas e o ano do divórcio. Neste artigo, esses pontos são apresentados com os valores de cada fonte e com uma indicação de que se trata de diferenças entre elas.
Também não foi possível confirmar em fontes abertas nesta verificação detalhes como o horário exato do lançamento em UTC, o local preciso do pouso e a distância mínima entre as duas naves, e por isso esses dados foram omitidos.
Fontes consultadas
- First woman in space: Valentina — ESAFonte oficial
- Valentina Tereshkova — NASA StarChildFonte oficial
- Timeline of early spaceflights — ESAFonte oficial
- Who Was The First Woman In Space? Valentina Tereshkova — National Air and Space MuseumComplementar
- Who Was The First Woman In Space? Valentina Tereshkova (happy birthday) — National Air and Space MuseumComplementar
Fontes conferidas em 29 de setembro de 2026. Encontrou um erro? Escreva para [email protected] ou consulte a página de correções.

